Paralisação de 24 Horas dos Servidores do Colégio Pedro II
Os profissionais do Colégio Pedro II, uma das mais respeitadas instituições de ensino do Brasil, decidiram paralisar suas atividades por 24 horas nesta quarta-feira, após uma assembleia realizada na noite da terça-feira (31), no campus São Cristóvão, localizado na Zona Norte do Rio de Janeiro. O Sindicato dos Servidores do Colégio Pedro II (Sindscope) informou que a paralisação é uma resposta ao não cumprimento de acordos feitos durante a greve que ocorreu em 2024, a qual durou três meses.
Dentre as principais reivindicações apresentadas estão a implementação do Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC) para os técnicos administrativos, a adoção de uma jornada de trabalho de 30 horas para esses funcionários, além do fim do controle de frequência para os docentes. O sindicato também ressalta que existem pendências relacionadas à regulamentação da atividade docente e à discussão sobre a racionalização de cargos no plano de carreira.
De acordo com o Sindscope, diversas demandas foram apresentadas a órgãos do governo, mas sem retorno satisfatório. No que diz respeito ao grupo de trabalho que discute a jornada de 30 horas, a entidade afirma que as conversas foram interrompidas sem maiores explicações, o que gerou descontentamento entre os servidores.
Pela manhã, os profissionais se reunirão em uma assembleia geral no Teatro Mário Lago, no campus São Cristóvão II, a partir das 9h, onde discutirão os próximos passos do movimento, incluindo a possibilidade de uma greve por tempo indeterminado.
Em nota, o Colégio Pedro II afirmou que a adesão à paralisação é uma decisão individual de cada servidor e que, apesar de os campi e a Reitoria permanecerem abertos, não é garantida a plena realização das atividades nesta quarta-feira. A instituição enfatiza seu compromisso com a educação, mas reconhece a importância de atender às demandas de seus profissionais.
Fundado em 2 de dezembro de 1837, o Colégio Pedro II possui uma longa trajetória na educação brasileira. Criado a partir de um decreto de Dom Pedro II, a escola tinha como objetivo ser um modelo de ensino secundário no Brasil. Ao longo dos anos, a instituição formou centenas de alunos que se destacaram em diversas áreas da sociedade, incluindo política, literatura e artes.
Entre os ex-alunos mais notáveis estão juristas como Afonso Arinos e Evandro Lins e Silva, ministros do Supremo Tribunal Federal como Marco Aurélio Mello e Luiz Fux, e escritores renomados, entre eles Manuel Bandeira e Joaquim Nabuco. Além disso, artistas famosos como Fernanda Montenegro, Mário Lago, Denise Fraga, Arlindo Cruz, Gilberto Braga e até mesmo Mr. Catra também fazem parte da rica história do Colégio Pedro II.
A importância do Colégio Pedro II na educação pública brasileira é inegável, e o movimento dos servidores reflete a luta contínua por melhores condições de trabalho e reconhecimento das suas funções. O que ocorrerá nos próximos dias em relação a essa paralisação e as possíveis deliberações da assembleia geral serão cruciais para o futuro das relações entre a gestão da escola e seus profissionais.

