Avanços e desafios no plano de saúde que moldará os próximos anos da cidade
A última reunião do Conselho Municipal de Saúde de Torres, realizada em 18 de dezembro de 2025 no Hospital Nossa Senhora dos Navegantes (HNSN), trouxe à tona importantes discussões sobre o futuro da saúde pública na cidade. Em pauta, o Plano Municipal de Saúde, que irá direcionar as ações da Secretaria Municipal de Saúde de 2026 a 2029, obedecendo as diretrizes estabelecidas pelos planos superiores do Litoral Norte, do Estado do Rio Grande do Sul e do Brasil, em conformidade com a legislação do Sistema Único de Saúde (SUS).
O plano, extenso e baseado em uma análise detalhada da situação atual da saúde em diversas áreas, estabelece metas que refletem as necessidades locais e a pactuação feita com o Sistema Estadual de Saúde (SES). O objetivo é melhorar a qualidade dos serviços de saúde oferecidos aos cidadãos.
A reunião contou com a presença da vice-presidente do Conselho de Saúde de Torres, Diana Hanh Justo, e outros conselheiros, que discutiram as diretrizes e objetivos do plano. Entre as principais metas apresentadas, destaca-se a ampliação da cobertura da Atenção Primária à Saúde, que deve aumentar de 58% para 70% até 2029. Para isso, está prevista a expansão da rede de Unidades de Saúde da Família, incluindo a construção de uma nova unidade nas Praias do Sul, com inauguração programada para agosto de 2026.
Extensão dos serviços de saúde e foco na prevenção
Outro ponto relevante discutido foi o aumento do percentual de atendimentos programados, que deve passar de 20% para 40%. Essa mudança será impulsionada pela reorganização das agendas e pela promoção de ações voltadas à prevenção e acompanhamento de grupos prioritários, como gestantes e idosos.
O plano também visa garantir maior acesso aos serviços de saúde para populações em situação de vulnerabilidade social, com a meta de ampliar a cobertura das condicionalidades do Programa Bolsa Família de 78% para 90% até 2029. A saúde da população idosa também foi um tema central, com a proposta de aumentar o acompanhamento de idosos pela Atenção Primária de 45% para 65% e alcançar 30% de registros de Avaliação Multidimensional da Pessoa Idosa até 2029. Essa avaliação é crucial para entender as condições de saúde e sociais dessa faixa etária.
Desafios e prioridades na saúde local
O plano também destacou a necessidade de abordar problemas que requerem atenção imediata. A falta de métodos contraceptivos de longa duração, como o Implante e o DIU, foi apontada como uma questão prioritária para reduzir os altos índices de gravidez na adolescência. Já no desenvolvimento infantil, o objetivo é aumentar o acompanhamento de crescimento e desenvolvimento de 40% para 65% até 2029, com foco em aspectos nutricionais e identificação precoce de transtornos.
Em relação à mortalidade infantil, a meta é reduzir as taxas de 9,52 para 1, além de manter a qualidade da assistência ao pré-natal, visando eliminar óbitos maternos. O tratamento e detecção da sífilis em gestantes também será intensificado, com a meta de reduzir casos de sífilis congênita de 17 para 4 até 2029.
Pacto pela saúde: avaliação e monitoramento contínuo
Todas as metas estabelecidas no Plano Municipal de Saúde serão monitoradas regularmente pela regional gaúcha. Relatórios de avaliação serão apresentados ao Conselho Municipal de Saúde e à Câmara Municipal, garantindo transparência e a participação da comunidade nas ações de saúde. As reuniões para discussão dos resultados permitirão um diálogo aberto entre os representantes da saúde local e os cidadãos, promovendo maior engajamento e responsabilidade na execução do plano.
Assim, o Plano Municipal de Saúde de Torres representa um passo significativo na busca por uma saúde pública mais eficiente e acessível, demonstrando o compromisso da gestão local em atender as necessidades da população e enfrentar os desafios atuais. Os próximos anos serão cruciais para a concretização dessas metas e para a melhoria da qualidade de vida dos torrenses.

