Repressão Estudantil e Protestos no Rio de Janeiro
No CE Senor Abravanel, na Zona Sul do Rio de Janeiro, um ato de violência marcou a manhã de quarta-feira (25). Durante uma manifestação organizada por estudantes contra um professor acusado de assédio, dois alunos da Associação Municipal dos Estudantes Secundaristas do Rio de Janeiro (AMES-Rio) foram agredidos por um policial militar. O incidente gerou indignação e levantou questões sobre a violência nas escolas e a atuação da Polícia Militar em ambientes educacionais.
A manifestação visava exigir o afastamento do docente investigado por assédio, mas o que se viu foi uma abordagem violenta. Além dos estudantes agredidos, os diretores da AMES-Rio e um terceiro aluno também foram detidos, aumentando a tensão no local.
Marissol Lopes, estudante de 19 anos e presidente da AMES-Rio, relatou sua experiência: “Fui agredida com dois socos e minha camisa foi rasgada. Desde o início do ano, estou aqui ajudando o grêmio a lutar por melhorias na escola. Não é a primeira vez que a violência é usada contra nós. A Secretaria de Educação, mesmo ciente do nosso direito de ocupar as escolas, prefere ignorar nossas reivindicações do que enfrentar o assédio que muitas estudantes sofrem.”
O colega de Marissol, Theo Oliveira, de 18 anos e secretário-geral da AMES-Rio, também falou sobre o ocorrido. “Vimos aqui uma luta justa, uma denúncia de assédio que se arrasta há anos sem resposta. Quando fui defender a Marissol, o policial me jogou no chão”, desabafou em uma entrevista ao Jornal A Verdade.
Entre os detidos estava João Herbella, diretor do DCE UFRJ e do Centro Acadêmico da Escola de Comunicação. Ele foi ao CE Senor Abravanel para apoiar a manifestação e acabou sendo detido por gravar a agressão aos estudantes.
Reação da Secretaria de Educação
A Secretaria de Educação do Rio de Janeiro (SEEDUC-RJ) se manifestou sobre o incidente, afirmando que a direção da escola acionou a Polícia Militar como uma medida preventiva durante o protesto, visando garantir a segurança de todos os envolvidos. Entretanto, a AMES-Rio e a AERJ, entidades estudantis que estavam presentes no evento, levantam questionamentos sobre o real perigo representado pelos cartazes e palavras de ordem dos estudantes.
As críticas à atuação da Polícia Militar não são novas. Em 2024, ocorreu um episódio semelhante no CE André Maurois, no Leblon, onde spray de pimenta foi utilizado contra estudantes. Conforme as associações estudantis, esse tipo de abordagem revela uma militarização das escolas, que muitos consideram uma solução inadequada para os problemas enfrentados pela educação.
Marissol Lopes fez um apelo à comunidade estudantil, lembrando os 58 anos do assassinato de Edson Luís pela ditadura militar: “Estamos convocando todos os estudantes para uma grande manifestação amanhã, que terá início na Prefeitura do Rio às 14 horas. Nossa luta é contra o assédio e a repressão nas escolas, e em memória de Edson Luís.”
Esse episódio ressalta a importância de uma discussão ampla sobre os direitos dos estudantes e a segurança dentro das instituições de ensino. A militarização das escolas e a violência policial levantam questões urgentes sobre como garantir um ambiente seguro e acolhedor para todos os alunos, que devem ser ouvidos em suas reivindicações.

