Principais Candidatos ao Governo do Rio de Janeiro
Com o fim do mandato do governador Cláudio Castro (PL-RJ) se aproximando, o cenário político do Rio de Janeiro se torna cada vez mais dinâmico. A direita fluminense busca um candidato que possa suceder Castro e assegurar a continuidade de um governo alinhado a Jair Bolsonaro (PL). A recente operação de segurança pública, chamada “Contenção”, deu um impulso na aprovação de Castro, que agora pode não apenas se lançar como pré-candidato ao Senado, mas também influenciar a próxima corrida eleitoral ao governo do estado.
Embora a segurança pública, uma bandeira tradicional da direita, seja um tema central na campanha, o nome que vai representar a candidatura conservadora com o apoio de Bolsonaro ainda não está definido. Essa escolha é considerada crucial para contrabalançar o crescimento do prefeito Eduardo Paes (PSD-RJ), que, segundo as últimas sondagens, pode ter uma vitória direta no primeiro turno.
Paes, que conta com a aliança do ex-presidente Lula, chegou até a mencionar a possibilidade de receber o apoio do PL. No entanto, essa ideia foi rejeitada tanto pela sigla quanto por outros grupos que fazem parte da base de apoio a Castro.
De acordo com pesquisas realizadas em setembro e outubro de 2025 por institutos como Gerp e Paraná Pesquisas, o prefeito carioca se mostra forte nas intenções de votos, com possibilidade de vencer a eleição no primeiro turno. O Paraná Pesquisas, em particular, indica que Paes tem mais de 54% dos votos em cenários competitivos.
Outro levantamento, realizado pelo Gerp, mostrou que mesmo em uma disputa com o senador Flávio Bolsonaro (PL), Paes se destacou, alcançando uma aprovação acima de 37%. O prefeito já confirmou que deixará o cargo em abril para se dedicar integralmente à sua candidatura ao governo.
A Prisão de Bacellar e Suas Consequências
Recentemente, a situação política no Rio de Janeiro foi impactada pela prisão do ex-presidente da Assembleia Legislativa (Alerj), Rodrigo Bacellar (União-RJ). Bacellar foi detido durante uma operação da Polícia Federal que investiga uma ligação do ex-deputado com o crime organizado. Após a sua prisão, ele foi liberado, mas está sob monitoramento eletrônico.
A manobra política feita por Castro, ao nomear Thiago Pampolha como conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, visava abrir espaço para Bacellar. Contudo, a prisão do ex-presidente da Alerj encerrou suas chances de concorrer ao governo. A situação se agravou ainda mais após Bacellar exonerar Washington Reis (MDB), um rival político, quando assumiu a governança interina do estado.
O afastamento de Castro em relação a Bacellar sinaliza um redirecionamento na estratégia do governador, que poderá deixar o cargo em abril caso decida concorrer ao Senado.
Disputa Interna e Novos Nomes na Corrida
O clima de incerteza também permeia a base aliada de Castro, que ainda não chegou a um consenso sobre um candidato para as próximas eleições. O secretário estadual da Casa Civil, Nicola Miccione (PL), é um dos nomes que estão sendo cogitados, embora exista uma falta de consenso em torno dele.
Outro potencial candidato é Felipe Curi, atual secretário da Polícia Civil, que ganhou destaque após comandar a operação Contenção, a mais letal da história do estado, resultando em 121 mortes. Ele também está sendo considerado para a candidatura, mas pode optar por se filiar ao Progressistas para melhor viabilizar sua participação eleitoral.
Washington Reis e os Desafios Jurídicos
O ex-prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis, confirmou que será pré-candidato ao governo. Sua candidatura, no entanto, depende de desdobramentos em um processo em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF) que pode afetar sua elegibilidade. Reis, que foi condenado por crime ambiental, afirma que está buscando resolver a questão e está otimista quanto à sua candidatura.
O ex-prefeito argumenta que não teve envolvimento direto nos crimes que lhe são atribuídos e que está confiante de que a situação será resolvida a tempo da eleição, dado que o caso já está prescrito.
Perspectivas da Esquerda no Pleito
O Partido dos Trabalhadores (PT) já havia lançado a pré-candidatura do ex-prefeito Fabiano Horta, mas é possível que o partido opte por apoiar Eduardo Paes, dada a falta de força política no estado. O PSOL, por sua vez, deve seguir o caminho de lançar uma candidatura própria, mantendo a independência em relação ao prefeito carioca. O deputado Glauber Braga é um dos possíveis candidatos, embora enfrente riscos de inelegibilidade.
Com tantas movimentações e a proximidade da eleição, o cenário fluminense se mostra instável, com situações que prometem aquecer ainda mais a disputa ao governo do Rio de Janeiro.

