Agravamento da Situação Econômica em Cuba
A partir de terça-feira (10), as companhias aéreas que desejam operar voos para Cuba terão que garantir combustível para o retorno ou fazer escalas em países vizinhos. Contudo, a crise econômica que assola a ilha vai muito além das dificuldades nos aeroportos. A escassez de alimentos e medicamentos se torna evidente, uma vez que a falta de combustível dificulta a distribuição de produtos essenciais. Além disso, o transporte público, já conhecido por sua ineficiência, enfrenta uma redução ainda maior. A vendedora Solanda compartilhou sua experiência angustiante, relatando que, na semana passada, precisou passar a noite em um restaurante devido à impossibilidade de retornar para casa.
A situação de falta de energia elétrica é alarmante. Diariamente, grande parte do país enfrenta longos períodos de blecautes, que podem se estender por até 15 horas. Para que a economia cubana funcione de maneira minimamente adequada, estima-se que o país necessite de cerca de 100 mil barris de petróleo diariamente, mas a produção local gira em torno de 40 mil barris. A Venezuela, que já foi o principal fornecedor de petróleo para Cuba, não é mais capaz de atender a essa demanda. Desde dezembro de 2025, os Estados Unidos bloquearam a entrega de petróleo venezuelano à ilha, e a pressão econômica americana se intensificou após a captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.
Donald Trump, ex-presidente dos EUA, anunciou a imposição de tarifas contra qualquer nação que insistisse em fornecer petróleo a Cuba, intensificando ainda mais a pressão sobre a ilha. Recentemente, o México, que havia se tornado um dos fornecedores mais significativos, também decidiu suspender suas vendas. A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, justificou essa decisão como uma medida para proteger a economia de seu país, embora tenha considerado injustas as ameaças de tarifas e enviado dois navios com 800 toneladas de ajuda humanitária a Cuba.
Respostas Cubanas à Crise e à Pressão Externa
Em meio a essa crise, o líder cubano, Miguel Díaz-Canel, adotou medidas de racionamento. Ele reduziu o horário comercial e limitou a venda de combustíveis, além de fechar hotéis e transferir turistas para outras opções de hospedagem, tudo na tentativa de economizar energia. O turismo, que representa uma parte significativa da economia cubana, enfrenta um grande impacto em decorrência dessas restrições.
Trump tem afirmado repetidamente que Cuba é uma nação falida e não hesitou em fazer ameaças, semelhantes às que direcionou à Venezuela. Ele declarou que o regime cubano precisa aceitar um acordo antes que a situação se torne irreversível, embora não tenha especificado que tipo de acordo está buscando. Apesar de haver contatos entre os dois governos, ambos negam a existência de negociações formais até o momento.
Na semana passada, o governo americano classificou Cuba como uma ameaça à segurança nacional, mesmo com a economia da ilha em colapso. Em resposta, o Ministério das Relações Exteriores cubano rejeitou essa categorização e afirmou que está disposto a retomar a cooperação internacional, ao mesmo tempo em que defende firmemente sua soberania e independência.

