Contador é Detido por Suspeita de Vazamento de Dados Sigilosos
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, ordenou a prisão de Washington Travassos de Azevedo, contador acusado de envolvimento no vazamento de dados sigilosos de integrantes da Corte e outras autoridades. A informação, inicialmente veiculada pela Folha de S. Paulo no último sábado, foi confirmada pelo GLOBO. O STF divulgou uma nota, onde afirmou que Washington foi identificado pela Polícia Federal (PF) como “um dos mandantes na cadeia de obtenção de dados fiscais protegidos por sigilo funcional”.
Documentos obtidos pelo GLOBO revelam que Washington foi detido no dia 13 de março, no presídio José Frederico Marques, localizado em Benfica, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Na quinta-feira, 19, a Secretaria Estadual de Administração Penitenciária anunciou que o contador estava apto para transferência para o Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste. Segundo a secretaria, essa mudança foi viabilizada pela abertura de vagas na unidade.
A defesa de Washington foi contatada, mas optou por não se manifestar até o momento.
Vale lembrar que a PF já havia iniciado uma operação em março, que resultou no cumprimento de quatro mandados de busca e apreensão, além de cinco mandados de prisão temporária contra suspeitos relacionados a vazamentos de dados. Uma das linhas de investigação aponta que funcionários da Receita Federal possam ter violado ilegalmente o sigilo fiscal de ministros do STF e de seus familiares.
A prisão de Washington aconteceu uma semana após essa operação, também realizada pela PF, que encaminhou o contador ao sistema prisional. De acordo com informações da Folha de S. Paulo, o contador teria reconhecido que acessou dados fiscais de maneira ilegal.
Em comunicado, o STF esclareceu que a prisão de Washington ocorreu no dia 14, embora documentos do governo do Rio indiquem sua entrada no sistema prisional um dia antes. A Corte também destacou que a “audiência de custódia foi realizada regularmente no mesmo dia”.
Adicionalmente, o Supremo revelou que Washington foi citado pela Procuradoria-Geral da República em um despacho que fundamentou sua prisão. Ele é considerado um dos responsáveis pelo esquema que possibilitou o acesso a “dados constantes de DIRPF (Declaração de Imposto de Renda de Pessoa Física) de 1.819 contribuintes, incluindo indivíduos vinculados a ministros do STF, membros do TCU, deputados federais, ex-senadores, um ex-governador, dirigentes de agências reguladoras, empresários e outras figuras de destaque público”.
A Corte também informou que o esquema envolveu o “download das declarações” de Imposto de Renda, cuja proteção é garantida por sigilo fiscal. Washington está registrado como contador no Rio de Janeiro, com registro ativo junto ao Conselho Federal de Contabilidade. Além de sua firma de contabilidade, aberta em 2015, ele recentemente constituiu uma nova empresa em São Paulo.

