Propostas para um Novo Caminho no Rio de Janeiro
É amplamente reconhecido pelos habitantes do Rio de Janeiro que o estado demanda uma mudança significativa em seu rumo para poder reiniciar um caminho de desenvolvimento que, historicamente, tem sido desafiador. Para contribuir com esse debate, o livro “Um renascer para o Rio – Propostas para um Estado próspero e sustentável”, publicado pela Editora Lux, reúne 27 especialistas de diversas áreas que oferecem diagnósticos e soluções em temas considerados cruciais para o estado. A obra se fundamenta em três eixos principais: segurança pública, combate à corrupção e a necessidade de equilíbrio fiscal.
O economista Fabio Giambiagi, um dos organizadores da publicação e pesquisador da Fundação Getúlio Vargas (FGV), ressalta que a reflexão sobre o Rio de Janeiro sempre foi menos intensa em comparação a outros estados. “Durante muito tempo, discutir o Rio era visto como uma preocupação menor, como se o foco tivesse que ser apenas no Brasil. Contudo, há cerca de 15 anos, essa percepção começou a mudar, gerando uma maior preocupação com o lugar onde vivemos”, explica Giambiagi.
O Inimigo Interno: Corrupção e Crise de Segurança
No primeiro capítulo do livro, os autores abordam o que chamam de “inimigo interno”, focando na corrupção policial e na crise da segurança pública. Os pesquisadores Leandro Piquet Carneiro, Fabio R. Bechara e Maurício Alves Barbosa alertam para uma verdadeira “simbiose” entre setores das polícias e o crime organizado. “Isso resultou em um ecossistema criminoso que desafia a autoridade do Estado e prejudica a implementação de políticas públicas eficazes”, enfatiza o texto.
Leandro Piquet, que coordena a Escola de Segurança Multidimensional da Universidade de São Paulo (USP), defende a importância de aprender com a experiência de nações que enfrentaram crises semelhantes. Ele aponta que “as reformas necessárias são complexas e exigem mudanças na forma como as polícias são recrutadas e fiscalizadas”. Para isso, ele sugere uma depuração contínua e o desenvolvimento de mecanismos eficientes de controle.
Desafios e Propostas para a Segurança Pública
O capítulo seguinte oferece um olhar aprofundado sobre a questão da segurança, enfocando diagnósticos e propostas para reduzir a criminalidade violenta no estado. Joana Monteiro e Ramón Chaves discutem o controle territorial exercido por grupos armados, a letalidade nas ações policiais e a alta incidência de roubos em áreas públicas. Joana ressalta que “o Rio enfrenta uma série de problemas crônicos, o que torna desafiadora a gestão pública”. Para ela, é crucial estabelecer prioridades e definir o que é intolerável na cidade.
“Estamos observando uma politização das forças policiais sem precedentes”, alerta Joana. Historicamente, a polícia no Rio nunca conseguiu se blindar das interferências políticas, mas a situação atual se tornou mais intensa. “A polícia deve ser uma instituição do Estado, e não do governo, atuando de maneira profissional e impessoal, independente de quem esteja no poder”, destaca.
A Segurança como Prioridade para o Desenvolvimento
Segundo Fabio Giambiagi, a questão da segurança, especialmente em relação ao domínio territorial exercido por milícias e grupos de tráfico, é vital para compreender os problemas enfrentados pelo Rio. “Não existe a possibilidade de uma economia próspera sem que a segurança seja tratada como a questão central para o desenvolvimento do estado”, analisa Giambiagi. A insegurança gera um ambiente de negócios hostil e prejudica tanto grandes quanto pequenos empreendedores.
Um Plano Abrangente para o Futuro do Rio
O livro também aborda questões de mobilidade urbana, a influência das mudanças climáticas e os desafios da saúde pública, propondo o uso da tecnologia e novas formas de gestão. Além disso, são exploradas as experiências do Rio com desestatização e as discussões sobre uma “estratégia refundacional” para a indústria do petróleo.
O lançamento do livro está marcado para o próximo dia 26, às 18h30, na Livraria da Travessa, no Leblon. A orelha da obra é escrita por Hélio Gurovitz, editor de Opinião do GLOBO, que destaca que o livro apresenta um plano detalhado para a recuperação do estado. “Não se trata de resgatar um futuro sonhado no passado, mas de construir um novo futuro, que embora menos ambicioso, é viável”, conclui Gurovitz.

