A Grande Partida entre PSG e Bayern
Na última terça-feira, duas pessoas me questionaram simultaneamente sobre o jogo entre Paris-Saint Germain e Bayern de Munique. Estavam no trabalho, na portaria dos Estúdios Globo, enquanto eu gravava vídeos promocionais para o SporTV sobre a Copa do Mundo. Embora não tivessem assistido à partida, já conheciam o resultado — e cada um tinha sua opinião formada a respeito. Sem perceber que se tratava de um debate, respondi de forma descontraída: “Foi um jogaço! Se bobear, ainda tá saindo gol até agora, mesmo após o apito final.”
Um dos funcionários ficou radiante com minha resposta: “Não falei? Tanta estrela em campo!” O outro, que me recebeu calorosamente, não escondeu a decepção: “Impossível! Um jogo com nove gols só pode ser pelada.” Pensei em lembrá-lo de um jogo memorável entre Santos e Flamengo, em que Neymar e Ronaldinho Gaúcho duelaram, terminando com o mesmo placar, considerado até hoje uma das maiores batalhas do Campeonato Brasileiro. Não deu tempo. Logo, os dois começaram uma discussão acalorada: “Você gosta é de zero a zero, né?” e “Nem na várzea se vê tanto gol assim!” O carrinho elétrico chegou para me levar embora.
Um Desdobramento nas Semifinais da Liga dos Campeões
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No dia seguinte, após ler críticas aos sistemas defensivos das duas equipes, assisti ao duelo entre Atlético de Madrid e Arsenal, pela outra semifinal da Liga dos Campeões da Europa. A verdade é que senti falta da noite anterior, enquanto olhava para a tela do celular, competindo com colegas de trabalho para ver quem tinha o streaming com menos atraso. “Já tá 3 a 1?” eu perguntava, enquanto outros ainda estavam no replay do segundo gol. Embora o número de craques em campo fosse menor, havia talento suficiente para algo além de um empate com dois pênaltis.
O contraste mais chamativo, no entanto, veio na própria terça à noite, quando as partidas da Libertadores e da Sul-Americana demonstraram um futebol diferente. A Sul-Americana, por ser uma competição onde clubes brasileiros costumam não jogar com a mesma seriedade, merecia um desconto. Porém, o que o Boca Juniors apresentou no Mineirão contra o Cruzeiro foi inaceitável. A equipe argentina, que carrega a esperança de reverter a má fase do futebol do país, parecia mais interessada em não jogar, especialmente após a expulsão de um jogador, e ainda voltou para casa com uma derrota — e um torcedor preso, por um crime de racismo.
Racismo e a Crise no Futebol Contemporâneo
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Na quarta-feira, novas ofensas racistas surgiram durante o jogo em que o Estudiantes tentou reverter o placar contra o Flamengo, com a arbitragem sendo bastante conivente. O Cerro Porteño, por sua vez, adotou uma estratégia defensiva ao encurtar o campo para limitar o ataque do Palmeiras, fazendo isso sem notificar a Conmebol, que só se manifestou no dia seguinte, da mesma forma lenta que se posiciona contra o racismo. Alguns jovens torcedores nas redes sociais chamam essas táticas de ‘futebol raiz’, mas muitos acreditam que tudo gira em torno do dinheiro: apenas quem tem muitos recursos pode se dar ao luxo de querer jogar de forma competitiva.
Eu, pessoalmente, continuo acreditando que a verdadeira disputa está entre a vontade de vencer e a de se divertir — e, a cada dia, parece que estamos perdendo essa essência.

