Explorando a Relação entre Funk, Sexo e Política
O funk, um ritmo vibrante e provocativo, é o pano de fundo escolhido pelo acadêmico Thiagson em seu novo livro, “Putologia Avançada — O funk de pernas abertas: como sexo, política e música se misturam”. Nascido no sertão baiano e criado na periferia de São Paulo, o autor traça um paralelo entre a estética do funk e a rebeldia de jovens periféricos. O lançamento do livro será celebrado em uma noite de autógrafos no dia 24, na Livraria Drummond, localizada no Conjunto Nacional de São Paulo.
Thiagson, que tem uma história pessoal profundamente ligada ao funk, reflete: “Foi só depois de mergulhar em um repertório contemporâneo que percebi a complexidade do funk. O que muitos consideram uma arte descartável é, na verdade, uma produção muito bem elaborada e significativa”. Ele cita uma obra do compositor contemporâneo Karlheinz Stockhausen como uma inspiração, ressaltando a intersecção entre música erudita e popular.
A Rebeldia e a Autoafirmação na Música
O autor não apenas analisa como o funk utiliza o sexo como uma forma de resistência e autoafirmação, mas também critica os paradigmas estabelecidos nas instituições de ensino musical. Ele compartilha sua experiência acadêmica e a sensação de inadequação ao estudar música clássica, em um ambiente que negligenciava a cultura popular e suas raízes. “Passei cinco anos no bacharelado e mais tanto no mestrado e doutorado, consumindo música de elite, enquanto minha própria formação estava nas ruas”, relata Thiagson.
Em sua obra, ele denuncia a falta de representatividade do gênero funk na musicologia e nas discussões acadêmicas sobre racismo e gênero, um tema que, segundo ele, é frequentemente ignorado em favor de uma abordagem mais formalista.
A Luta pela Valorização do Funk
Thiagson critica a aversão de muitos acadêmicos em aceitarem o funk devido a preconceitos relacionados ao uso de linguagem explícita e temas controversos. Ele argumenta que, por trás desse conteúdo, existe uma rica cultura que deve ser explorada e compreendida. “Quem se depara com o funk não pode esquecer que ele carrega consigo as vozes de uma população marginalizada”, afirma.
A Música que Faz História
Um dos exemplos mais impactantes abordados no livro é a canção “Bum bum tam tam”, que bateu recordes de visualizações no YouTube. Thiagson observa que a música incorpora elementos de obras clássicas, como a famosa “Partita em Lá Menor para flauta solo” de Johann Sebastian Bach. Com isso, ele defende que o funk deve ser visto como uma forma de arte que dialoga com a tradição, ao invés de ser desmerecido como algo inferior.
A Influência Cultural do Funk
O autor ainda discute a dualidade presente entre a popularidade do funk e a crescente presença de comunidades evangélicas nas favelas. Para ele, a estética do funk, que muitas vezes busca chocar, dialoga diretamente com uma moralidade latente. Thiagson observa que muitos artistas de funk, como DJ Yuri Martins, admitem produzir conteúdos polêmicos, apesar de sua própria relação com a moralidade.
Uma Reflexão sobre a Música e a Sociedade
Thiagson traz à tona uma reflexão sobre os jovens periféricos e como o funk se transforma em uma utopia para aqueles que se sentem excluídos da sociedade. Ele argumenta que as letras do funk refletem uma realidade de desejos não realizados e a busca por identidade. “O funk é um grito de resistência e uma forma de expressar as contradições da sociedade brasileira”, conclui.
A análise de Thiagson vai além da música, tocando em questões sociais que permeiam a vida nas favelas, proporcionando uma visão crítica e inovadora sobre os contextos que moldam a cultura do funk. Para aqueles que desejam entender a profundidade dessa expressão musical, “Putologia Avançada” é uma leitura obrigatória.

