Uma Celebração Musical Inesquecível
No ano de 2026, o cantor Marcos Sacramento e o violonista Zé Paulo Becker darão continuidade à sua colaboração musical, 14 anos após o lançamento do álbum “Todo mundo quer amar”. Com o intuito de homenagear os 60 anos do renomado disco “Os afro-sambas de Baden e Vinicius”, que foi lançado em agosto de 1966 pela gravadora carioca Forma, a dupla se prepara para trazer novos ares ao repertório.
O show, que promete ser uma experiência única, terá sua estreia marcada para o dia 5 de março, em uma apresentação exclusiva na casa Manouche, localizada no Rio de Janeiro (RJ). O espetáculo não apenas irá relembrar as canções desse álbum clássico, mas também incluirá outras composições afro-sambas que ficaram de fora, como “Berimbau” e “Consolação”, ambas de Baden Powell e Vinicius de Moraes, lançadas em 1963.
Esta produção musical não se limita ao palco. Um novo álbum, com lançamento previsto para o primeiro semestre de 2026, será gravado em estúdio, reunindo a voz marcante de Sacramento e o violão de Becker, além de colaborações de diversos artistas da MPB.
Um Clássico da Música Brasileira
Considerado um marco na discografia brasileira, o álbum “Os afro-sambas de Baden e Vinicius” se destaca não apenas por suas músicas inovadoras, mas também por suas reinterpretações ao longo dos anos. A cantora Mônica Salmaso, por exemplo, fez uma bela regravação em parceria com o violonista Paulo Bellinati em 1995. Essa obra consolidou de vez o gênero afro-samba, trazendo um repertório primorosamente composto por Baden Powell (1937 – 2000) e Vinicius de Moraes (1913 – 1980).
Com um total de oito afro-sambas compostos entre 1962 e 1965, as músicas, além de serem uma expressão rica da cultura brasileira, contam com letras de Vinicius que transitam entre a leveza e o drama. O poeta e compositor carioca ficou famoso por sua colaboração com Antonio Carlos Jobim (1927 – 1994) a partir de 1956, que resultou em canções de renome internacional, definindo a Bossa Nova.
Ritmos e Histórias que Transcendem o Tempo
Dentre as músicas mais icônicas presentes no álbum, destacam-se “Canto do caboclo Pedra Preta”, “Tempo de amor” e “Canto de Ossanha”, esta última especialmente reverberada pela interpretação de Elis Regina em 1966. O álbum ainda traz outras composições como “Bocochê”, “Canto de Xangô”, “Tristeza e solidão”, “Canto de Iemanjá” – que destaca a voz da saudosa cantora Dulce Nunes (1929 – 2020) – e “Lamento de Exu”. Cada uma dessas faixas foi cuidadosamente arranjada e regida pelo maestro César Guerra-Peixe (1914 – 1993).
Guerra-Peixe deu um toque especial aos arranjos, utilizando instrumentos de percussão comuns nos terreiros de Candomblé, como agogô, afoxé, atabaque e bongô. Os ritmos e harmonias das músicas são profundamente influenciados pelas raízes africanas, que foram a principal inspiração de Baden e Vinicius na criação dos afro-sambas. Além da percussão, violão e instrumentos de sopro também fazem parte da rica sonoridade que caracteriza essa obra.
Um Legado Musical que Continua a Inspirar
O álbum “Os afro-sambas de Baden e Vinicius” foi produzido pelo carioca Roberto Quartin (1941 – 2004) em parceria com Wadi Gebara (1937 – 2019), que também teve um papel significativo na direção artística da obra. Gravado entre os dias 3 e 6 de janeiro de 1966, no Rio de Janeiro (RJ), o disco contou com a participação do próprio Vinicius de Moraes, além do grupo Quarteto em Cy e um coro misto, que enriqueceu ainda mais a produção original.
Através de seu apelo cultural e musical, o disco se tornou um referencial, evidenciando a importância da herança africana na música brasileira. Essa conexão com a ancestralidade é uma continuidade da obra de outros mestres, como Pixinguinha (1897 – 1973) e Moacir Santos (1926 – 2006). O álbum “Coisas”, lançado em 1965 por Santos, também se destaca como uma obra-prima que inspira Baden Powell a trazer a negritude do Brasil para o seu violão.
Assim, o legado de “Os afro-sambas de Baden e Vinicius” continua a ressoar na música brasileira, mostrando que, mesmo após 60 anos, sua essência permanece viva e relevante, como se prova com o novo show e álbum de Marcos Sacramento e Zé Paulo Becker.

