Iluminação marca aniversário da paisagem carioca reconhecida pela Unesco
A Prefeitura do Rio de Janeiro celebra os 14 anos da inscrição do Sítio Paisagens Cariocas entre a Montanha e o Mar na lista do Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Para comemorar a data, entre 1º e 5 de julho, o Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH), a Rioluz e a Secretaria Municipal de Conservação, em parceria com o Copacabana Palace, a Belmond Hotel e o Santuário Cristo Redentor, promovem uma iluminação especial em monumentos emblemáticos da cidade. O Cristo Redentor, os Arcos da Lapa e o Copacabana Palace receberão luzes nas cores verde e azul, que fazem referência à montanha e ao mar, elementos que compõem a paisagem carioca.
Reconhecimento histórico e compromisso com a preservação
O título concedido pela Unesco posiciona o Rio como a primeira grande área urbana a ser reconhecida internacionalmente como Paisagem Cultural Urbana. Essa distinção ressalta a relação singular e harmoniosa entre a natureza exuberante e a ocupação urbana que se desenvolveu ao longo dos séculos na cidade.
Laura Di Blasi, presidente do IRPH, destaca que a celebração dos 14 anos desse título reforça o compromisso da cidade com a gestão dos bens culturais e ambientais. A iluminação especial nos principais cartões-postais, segundo ela, é um tributo visual a essa herança coletiva e um lembrete da importância da preservação para o orgulho dos cariocas.
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Patrimônio visual e cultural reconhecido pela Unesco
A área protegida pela Unesco inclui marcos essenciais da identidade do Rio, como o Parque Nacional da Tijuca, o Jardim Botânico, o Corcovado com o Cristo Redentor, o Parque do Flamengo, a orla de Copacabana, a entrada da Baía de Guanabara, o Forte de Copacabana e o morro do Pão de Açúcar. Essa iniciativa conecta a Zona Sul e o Centro em um circuito visual que homenageia locais que testemunham a evolução urbana e cultural da cidade.
Junto com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento (SMDU), o IRPH reforça as ações de conservação e planejamento sustentável que vêm sendo realizadas nos últimos 14 anos para garantir a preservação da paisagem que rendeu ao Rio o reconhecimento internacional. Um exemplo recente é a revitalização dos Arcos da Lapa, que contou com um investimento de R$ 1,7 milhão. O projeto incluiu limpeza técnica, pintura, recuperação estrutural e a revitalização da Praça Cardeal Câmara, resgatando a imponência do monumento tombado pelo IPHAN.
Conservação histórica e técnicas tradicionais
O secretário municipal de Conservação, Diego Vaz, explica que os Arcos da Lapa representam a maior obra de engenharia do Brasil colonial e são um símbolo das transformações urbanas do Centro do Rio. A manutenção do monumento segue um ciclo técnico contínuo, com intervenções em 2011, 2014, 2016, 2022 e agora em 2026. As obras respeitam o tombamento do IPHAN e utilizam técnicas originais, como a caiação com cal virgem, que permite que a pedra respire e evita a umidade, preservando as características originais do monumento. Para ele, “uma cidade sem memória é uma cidade morta”.
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Histórico do reconhecimento internacional
O processo que levou ao título inédito no mundo foi coordenado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), com apoio da Prefeitura do Rio, do Governo do Estado e do Ministério do Meio Ambiente, por meio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. O dossiê de candidatura foi enviado ao Comitê do Patrimônio Mundial em setembro de 2009. Após análise, o Rio recebeu a distinção em 1º de julho de 2012, durante a 36ª Sessão do Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco, realizada em São Petersburgo, na Rússia. A inscrição oficial ocorreu em 5 de julho de 2012.
Inovação no conceito de Paisagem Cultural
O conceito de Paisagem Cultural foi incorporado pela Unesco em 1992 para reconhecer bens culturais de forma inovadora. O Rio de Janeiro foi pioneiro ao ser a primeira grande área urbana dinâmica incluída nessa categoria, quebrando o paradigma até então estabelecido, que considerava apenas áreas rurais, jardins históricos, pequenos núcleos urbanos ou sistemas agrícolas tradicionais.
Outros patrimônios Unesco no Rio
Além do Sítio Paisagens Cariocas, a cidade possui outros locais reconhecidos pela Unesco como Patrimônio Mundial. O Sítio Arqueológico Cais do Valongo, na Região Portuária, recebeu o título em 2017 por representar o principal porto de entrada de africanos escravizados nas Américas e preservar uma memória sensível da história da humanidade. Já o Sítio Roberto Burle Marx, em Barra de Guaratiba, foi inscrito em 2021 como Paisagem Cultural por materializar o conceito inovador de jardim tropical moderno e por inspirar a vocação econômica local.

