Decisão Importante em Plenário Virtual
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) marcou para o período entre 17 e 28 de abril o julgamento do recurso do ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, do partido União. O ex-parlamentar contesta a decisão que manteve a cassação de seu mandato, uma medida determinada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O julgamento ocorrerá em um formato de plenário virtual, onde os ministros poderão analisar as questões à distância. O recurso foi apresentado após o ministro Cristiano Zanin rejeitar, em decisão individual, um pedido liminar da defesa de Bacellar, que buscava suspender os efeitos de sua condenação.
Apesar dos esforços para reverter a situação, os efeitos da cassação já foram implementados. O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) reprocessou a contagem dos votos das eleições de 2022, resultando na anulação de 97.822 votos atribuídos a Bacellar. Como consequência, o delegado Carlos Augusto, do PL, foi confirmado como o novo eleito para a vaga anteriormente ocupada por Bacellar. A homologação desse resultado está agendada para o dia 14 de abril.
Defesa Apresenta Argumentos Fortes
A defesa de Bacellar interpôs um agravo interno, alegando “extrema urgência” para que a decisão de cassação e inelegibilidade fosse suspensa. Os advogados sustentam que a retotalização dos votos poderia levar ao afastamento do parlamentar antes que o STF analisasse o caso — uma situação que, de fato, se concretizou.
Entre os principais argumentos apresentados pela defesa estão a falta de contraditório, uma vez que a condenação no TSE se baseou em fundamentos que surgiram apenas na fase final do processo, sem que Bacellar tivesse a oportunidade de se defender adequadamente. Além disso, arguíram que houve quebra de isonomia, questionando por que outros gestores ligados às contratações feitas pela Ceperj e pela Uerj não sofreram penalizações semelhantes.
A defesa também apela à soberania popular, argumentando que o afastamento de Bacellar, antes do trânsito em julgado da decisão, fere a vontade do eleitorado que o elegeu.
Contexto da Situação de Bacellar
O cenário para Rodrigo Bacellar se agrava, especialmente após sua prisão recente pela Polícia Federal (PF). A detenção ocorreu durante uma fase da Operação Unha e Carne, que foi autorizada pelo STF e investiga suspeitas de obstrução das investigações relacionadas a uma organização criminosa associada ao Comando Vermelho.
Agora, cabe aos quatro ministros que compõem a Primeira Turma do Supremo decidir se mantêm a decisão de Zanin ou se concedem a liminar requerida pela defesa de Bacellar. Essa decisão poderá reverter os efeitos da cassação, o que alteraria significativamente o futuro político do ex-parlamentar.
O desfecho desse caso é aguardado com atenção, uma vez que não apenas impacta a trajetória de Bacellar, mas também levanta questões importantes sobre o processo eleitoral e a aplicação da justiça no Brasil.

