Reflexões sobre a degradação institucional
No final de 2002, ao ser convidado pelo então governador eleito do Espírito Santo, Paulo Hartung, para ministrar uma palestra sobre o cenário econômico, participei de um seminário que visava planejar o futuro do estado. Naquele momento, o Espírito Santo enfrentava uma crise severa, com suas finanças em desordem e uma situação institucional marcada pela corrupção e o auge do crime organizado.
Hoje, esse estado é um exemplo a ser seguido, com uma gestão fiscal eficiente e políticas públicas que beneficiam a população em áreas cruciais como saúde e educação.
Recentemente, ao lado dos amigos e colegas Marco Aurélio Cardoso e Guilherme Tinoco, lançamos o livro “Um renascer para o Estado do Rio de Janeiro” (Editora Lux), que reflete nossa preocupação com a realidade fluminense. Marco Aurélio, que possui vasta experiência como Secretário da Fazenda no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul, e Guilherme, um estudioso das questões subnacionais, são coautores desta obra que se propõe a alertar sobre a necessidade e a viabilidade de salvar o Rio.
A urgência de um ponto de virada
Todos nós, envolvidos na elaboração do livro, temos a plena consciência de que a degradação institucional no Rio de Janeiro atingiu um nível alarmante. Estamos à beira de um ponto de virada na próxima gestão estadual; ou haverá uma mudança significativa, ou aqueles que podem vão considerar deixar o estado. Essa situação insuportável exige uma luta incansável contra a realidade trágica que se impõe a todos nós.
É emblemático que o Estado do Rio tenha cinco ex-governadores vivos, todos com passagem pela prisão. Isso evidencia o estado crítico em que nos encontramos. A corrupção que permeia diversos setores, o crescimento do crime organizado e o domínio das máfias locais são apenas algumas das questões que dificultam qualquer tentativa de reerguimento.
Hoje, é impossível não conhecer alguém que tenha sido extorquido por mafiosos, que exercem um controle quase absoluto sobre o comércio local. A violência e a precariedade da segurança pública tornam a vida dos cidadãos um verdadeiro tormento.
Iniciativas para a segurança pública e desenvolvimento econômico
Com a gravidade da situação em mente, decidimos que os dois primeiros capítulos de nosso livro abordariam a segurança pública, numa inversão da lógica comum desse tipo de coletânea. O primeiro capítulo apresenta uma visão institucional sobre o problema, enquanto o segundo explora iniciativas efetivas para reduzir a violência, a partir de exemplos de outros estados que podem ser replicados.
O livro é composto por 11 capítulos, escritos por 27 especialistas que discutem temas essenciais como segurança pública, finanças estaduais, o relacionamento entre governo e municípios, um novo programa de concessões, e o papel do petróleo na reconversão econômica do estado. Além disso, abordamos a economia criativa, a mobilidade urbana, a temática ambiental e propostas para as áreas de saúde e educação.
Há pouco mais de uma década, um pré-candidato à presidência, Eduardo Campos, em sua última aparição na televisão, conclamou: ‘Não vamos desistir do Brasil’. Esse espírito de esperança deve se refletir na luta pelo Rio de Janeiro. Acreditamos que, assim como o Espírito Santo conseguiu se reinventar, o nosso estado também pode encontrar o caminho da recuperação e prosperidade.

