Semana da Cultura no Sistema Prisional
Entre os dias 7 e 10 de abril, o Rio de Janeiro será palco da primeira edição da Semana da Cultura no Sistema Prisional. Essa iniciativa representa o marco inicial do projeto Horizontes Culturais, parte do Plano Pena Justa do Portal CNJ, que visa aumentar o acesso à cultura nas prisões. O lançamento ocorrerá no prestigiado Theatro Municipal do Rio de Janeiro, no dia 10.
Durante essa semana, várias unidades prisionais e espaços culturais estarão oferecendo uma série de atividades voltadas para pessoas encarceradas, egressas, seus familiares e servidores do sistema penal. Artistas e profissionais da cultura se juntarão ao evento, cujo objetivo vai além da simples apresentação de arte; busca-se também promover a reconstrução de trajetórias de vida e dar visibilidade a práticas culturais que já estão em desenvolvimento nas unidades prisionais. A curadoria da Semana fica sob a responsabilidade de Carollina Lauriano, enquanto Karla Osorio Netto cuida da coordenação técnica e de conteúdo.
Programação variada e ações impactantes
A programação inicia no dia 7 de abril, na Fundação Biblioteca Nacional, que fará a doação de 100 mil livros para unidades prisionais em todo o Brasil. Esse espaço também sediará um bate-papo com autores e apresentará os resultados do Mapeamento Nacional de Iniciativas Culturais. O dia será marcado por oficinas e apresentações musicais nas unidades prisionais, incluindo uma performance do grupo Voz da Liberdade, que promove um concurso voltado para cantoras e pessoas LGBTQIAP+ do sistema prisional fluminense, com o apoio da Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen).
Outro destaque será o Centro Cultural do Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro, que receberá o espetáculo Perigosas Damas, estrelado pela atriz Geovana Pires, que aborda as origens do sistema prisional feminino no Brasil.
Atividades para famílias e egressos
No dia seguinte, pessoas egressas do sistema prisional e seus familiares poderão visitar a fábrica de livros da editora Record, além de uma exposição na Biblioteca do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. Na quinta-feira, 9 de abril, a programação incluirá visitas guiadas ao icônico Cristo Redentor, ao Museu de Arte do Rio (MAR), ao Museu de Arte Contemporânea (MAC), ao Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM) e a outros importantes espaços culturais da cidade. Essa iniciativa conta com a colaboração do governo do Estado do Rio de Janeiro e da Secretaria de Cultura e Economia Criativa.
Encerramento com diversidade artística
A Semana da Cultura no Sistema Prisional culminará com o lançamento do Horizontes Culturais no Theatro Municipal, onde ocorrerão diversas apresentações artísticas, incluindo o grupo Afroreggae e a companhia Bizarrus, que é fruto da Associação Cultural e de Desenvolvimento do Apenado e Egresso (Acuda) de Rondônia. Este espetáculo integra teatro, música e expressões corporais, baseando-se nas vivências de pessoas encarceradas.
Além das instituições já mencionadas, a iniciativa conta com a parceria do Ministério da Cultura, do Tribunal Superior do Trabalho, da Justiça Federal da 2ª Região, da Fundação Santa Cabrini e do Instituto Casa Poema.
Uma exposição com significado profundo
As artes visuais também ocupam um espaço relevante na programação, com a exposição “Uma semana que dura para sempre”, que reúne obras de artistas que passaram pelo sistema prisional, conectando suas trajetórias pessoais, memória e território. Esses trabalhos se relacionam com a residência artística Coexistir–Coabitar, promovida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em exibição no Largo das Artes, no centro do Rio de Janeiro. Este local acolherá o lançamento do projeto Cuidar, que visa promover a saúde de pessoas encarceradas, também agendado para o dia 10 de abril. O Cuidar conta com a colaboração da Rede D’Or e do Ministério da Saúde.
Essas ações possuem o suporte técnico do programa Fazendo Justiça, coordenado pelo Conselho Nacional de Justiça em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e o Ministério da Justiça e da Segurança Pública, através da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen).

