Setor de Serviços em Alta
O setor de serviços se destaca como a principal atividade econômica na maioria dos municípios bilionários do Brasil. De um total de 195 cidades brasileiras que superam a arrecadação de R$ 1 bilhão, 165 têm os serviços como pilar econômico. Exemplos notáveis incluem Florianópolis (SC), que projetou uma receita orçamentária de R$ 3,8 bilhões em 2024, e Cuiabá (MT), que alcançou uma arrecadação de cerca de R$ 4,3 bilhões.
A indústria, por sua vez, ocupa uma posição secundária, sendo o principal setor em apenas 30 dessas cidades, como Manaus (AM), que registrou uma arrecadação de aproximadamente R$ 11 bilhões, e Canaã dos Carajás (PA), com receitas de R$ 2,1 bilhões.
De acordo com o especialista em orçamento público, Cesar Lima, o destaque do setor de serviços reflete um panorama nacional em que esse segmento se sobressai, especialmente face à desaceleração da indústria. “O setor de serviços se manteve em alta, enquanto a indústria e outras atividades que demandam investimentos mais robustos estão estagnadas em função da elevada taxa de juros vigente no Brasil”, ressalta. Lima ainda observa que no ranking de municípios bilionários, os três primeiros que se destacam no setor industrial são bastante atípicos. “Manaus, com sua Zona Franca, e as cidades de Maricá e Niterói, que se beneficiam da extração de petróleo”, completa.
Arrecadação Total dos Municípios Bilionários
Conforme dados do Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro (SICONFI), os 195 municípios que ultrapassam a marca de R$ 1 bilhão em arrecadação totalizaram mais de R$ 678 bilhões em receita orçamentária em 2024.
A influência dos diferentes setores no Produto Interno Bruto (PIB) nacional também é notável. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que, em 2023, a redução nos preços do petróleo e do minério de ferro afetou negativamente a participação no PIB das cidades que dependem da indústria extrativa.
Entre os municípios mais impactados, Maricá (RJ) se destaca, registrando uma perda de 0,3 ponto percentual na participação do PIB nacional. Esses dados evidenciam como os setores econômicos se intercalam e influenciam diretamente a arrecadação e a saúde financeira das cidades brasileiras.

