Decisão do STF sobre Allan Turnowski
O Supremo Tribunal Federal (STF) tomou uma decisão significativa ao suspender duas ações penais que envolvem Allan Turnowski, ex-secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro. O julgamento, realizado virtualmente e finalizado na última sexta-feira, dia 6, contou com a participação da Segunda Turma do Supremo, que adotou um entendimento favorável à defesa do ex-secretário.
Turnowski está sob investigação por supostas ligações com o jogo do bicho e por obstrução à Justiça, enfrentando acusações de pertencimento a uma organização criminosa. As ações suspensas têm tramitação na 1ª Vara Criminal Especializada em Organização Criminosa do estado, e outros policiais civis também estão entre os réus.
A decisão da Segunda Turma foi aprovada com três votos a um. Os ministros Dias Toffoli, André Mendonça e Gilmar Mendes acolheram o recurso apresentado pela defesa de Turnowski. Em seu voto, Toffoli argumentou que, devido ao cargo que ocupava, o julgamento das ações deve ser conduzido pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, em vez da primeira instância da Justiça estadual. Essa mudança se baseia na interpretação de que o foro privilegiado deve ser mantido para questões referentes a crimes cometidos durante o exercício da função.
Durante o período em que estava à frente da Secretaria de Polícia Civil, Turnowski, que ocupou o cargo entre setembro de 2020 e abril de 2022, foi alvo de investigações relacionadas a atividade criminosa, o que levou aos processos em trâmite. O novo entendimento do STF reafirma que a prerrogativa do foro privilegiado se aplica mesmo após a saída do cargo, especialmente quando a investigação diz respeito a crimes supostamente cometidos em virtude das funções exercidas.
No julgamento virtual, o ministro Kassio Nunes Marques votou contra o pedido da defesa, enquanto Luiz Fux não participou da votação. Com essa nova determinação, o futuro de Turnowski agora será decidido em instâncias superiores, refletindo as complexidades do sistema jurídico brasileiro e as implicações do foro privilegiado.
Esta decisão do STF traz à tona questões relevantes sobre a aplicação da Justiça em casos que envolvem autoridades públicas, provocando debates sobre a transparência e a responsabilidade no exercício de cargos de confiança. O acompanhamento desse caso será fundamental para entender os desdobramentos das investigações e o impacto que terão sobre a política de segurança pública no estado do Rio de Janeiro.

