Casos de Sarampo Crescem nas Américas
O surto de sarampo que atinge diversos países das Américas colocou o Brasil em estado de alerta total. No ano passado, foram registrados no continente 14.891 casos da doença, com 38 deles ocorrendo em território brasileiro. Impressionantemente, esse número é quase 32 vezes maior do que o reportado em 2021, quando o total foi de apenas 446 casos. As informações são da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), uma divisão regional da Organização Mundial da Saúde (OMS).
A situação se agrava em 2024; até o dia 5 de março, já existem mais de 7.145 casos confirmados. O Brasil registrou seu primeiro caso recente no início deste mês, envolvendo uma bebê de seis meses no estado de São Paulo. A menina contraiu a doença após a família visitar a Bolívia, onde um surto significativo está em andamento.
Casos Importados e Desafios no Turismo
Uma questão preocupante é que muitos dos casos diagnosticados no Brasil são importados. Isso ocorre tanto por brasileiros não vacinados que retornam ao país com a doença, quanto por estrangeiros contaminados que chegam aqui. O diretor do Programa Nacional de Imunizações, Eder Gatti, expressou sua preocupação em relação a isso: “O Brasil enfrenta um desafio considerável devido à sua posição geográfica e suas muitas áreas turísticas que atraem estrangeiros. Temos uma extensa fronteira terrestre, onde a circulação de pessoas é intensa, principalmente nas cidades gêmeas.”
Para lidar com essa situação, o Ministério da Saúde adotou campanhas de vacinação nas regiões de fronteira e intensificou a vigilância nos estados e municípios, especialmente aqueles mais vulneráveis ao surto. A investigação de novos casos envolve ações que vão desde a vacinação preventiva até a inspeção de residências e laboratórios onde a transmissão do sarampo pode ter ocorrido.
Copa do Mundo e Aumento da Vigilância
O diretor Eder Gatti também lembrou que em 2026 haverá Copa do Mundo nos Estados Unidos, no Canadá e no México, países que atualmente lideram o número de casos de sarampo. “Esse evento nos deixa em alerta, por isso temos colaborado com a Anvisa para levar informações sobre o sarampo em aeronaves, aeroportos e até mesmo portos, visando cruzeiros. É essencial que o sarampo permaneça como um tópico relevante na consciência da população”, comentou.
A Importância da Vacinação
A vacinação é a principal forma de prevenção contra o sarampo. De acordo com Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, é fundamental aumentar a cobertura vacinal no Brasil. “As vacinas que oferecemos são consideradas esterilizantes, pois não apenas previnem a doença como também impedem que a pessoa se torne portadora e transmissora do vírus. Portanto, a imunização em altas taxas atua como uma barreira eficaz na circulação do vírus”, ressalta.
O calendário básico do Sistema Único de Saúde (SUS) estabelece que a vacina contra o sarampo deve ser administrada em duas doses: a primeira aos 12 meses de idade, como parte da vacina tríplice viral, e a segunda aos 15 meses, na forma da tetraviral. Em situações de surto, é disponibilizada uma “dose zero”, que serve como uma proteção temporária.
Dados de Vacinação e Perspectivas Futuras
No ano passado, aproximadamente 92,5% das crianças receberam a primeira dose da vacina contra o sarampo, mas apenas 77,9% completaram o esquema vacinal na idade adequada. Para aqueles com até 59 anos que não têm comprovação das duas doses, a imunização se faz necessária.
Em 2024, o Brasil conseguiu restabelecer o certificado de “área livre de sarampo”, uma conquista que se deve à ausência de transmissão sustentada da doença no país. Embora, por enquanto, não haja risco de perder essa certificação, o estado de alerta continua, e a vigilância precisa ser mantida.

