A Iniciativa Quântica do BRICS e Seu Impacto no Brasil
A tecnologia quântica se firmou como um dos pilares estratégicos do bloco BRICS, especialmente após a recente Cúpula realizada no Rio de Janeiro. Durante o evento, os líderes dos países membros concordaram em priorizar a ciência, a tecnologia e a inovação, com um olhar especial para o ano de 2025. Esse movimento reflete uma crescente necessidade de alinhar o bloco às tendências globais de alta tecnologia e à competição por liderança em computação e infraestrutura digital avançada.
Coincidentemente, a Organização das Nações Unidas proclamou 2025 como o Ano Internacional da Ciência e Tecnologia Quântica, o que reforça ainda mais a relevância desse tema na agenda internacional. Em resposta, o BRICS anunciou a inclusão de um Fórum Internacional sobre Tecnologias Quânticas no calendário de atividades do bloco para 2026, a ser realizado na Rússia. Este encontro promete reunir representantes de governos, empresas, universidades e startups para desenvolver uma plataforma sólida de cooperação em pesquisa, padronização e modelos de negócio na área de computação, comunicações e sensores quânticos.
O Papel da Rússia na Estratégia Quântica
A Rússia se destaca como um dos principais protagonistas nessa nova estratégia, com a Rosatom, a estatal do setor nuclear, assumindo um papel de liderança na criação de um ecossistema quântico integrado. Desde 2020, a Rosatom coordena um robusto programa de computação quântica, habilitando múltiplas plataformas tecnológicas e formando parcerias com instituições acadêmicas e empresas inovadoras.
A partir de 2026, suas responsabilidades se expandirão para incluir o desenvolvimento e supervisão de sensores quânticos. Esses dispositivos são considerados cruciais para a segurança e eficiência operacional de processos, além de abrirem novas oportunidades em áreas como energia, logística e saúde, principalmente nos países membros do BRICS.
Avanços em Computação Quântica
No setor de computação quântica, a Rosatom já conseguiu desenvolver uma variedade de processadores e algoritmos que utilizam diferentes tecnologias, como íons aprisionados e circuitos supercondutores. Pesquisadores russos relatam avanços significativos, com máquinas que superam a marca de 50 qubits em várias arquiteturas. O objetivo é alcançar um processador capaz de operar com até 300 qubits até 2030.
Esses desenvolvimentos, segundo especialistas, estão não apenas voltados para a pesquisa acadêmica, mas também para a resolução de problemas reais em setores como logística, descoberta de novos materiais e engenharia nuclear. Para os países do BRICS, isso significa um aumento significativo na competitividade em cadeias estratégicas, que vão desde energia até a indústria farmacêutica, além de reduzir a dependência de tecnologias externas.
Educação e Cooperação Internacional
Um dos componentes centrais da estratégia da Rosatom é a promoção de educação e formação de profissionais qualificados em tecnologia quântica, em parceria com diversas universidades e instituições de pesquisa. A empresa defende um acesso “justo e aberto” às tecnologias avançadas, posicionando a cooperação internacional como uma chave para acelerar o desenvolvimento do mercado.
A ênfase em programas conjuntos de pesquisa e laboratórios compartilhados pode facilitar projetos multinacionais em setores críticos. Dentro do cenário corporativo, essa convergência entre interesses políticos e investimentos cria um ambiente fértil para novos modelos de negócios, incluindo consórcios de pesquisa e desenvolvimento (P&D) e parcerias público-privadas para a implementação de soluções quânticas em larga escala.
Expectativas para o Fórum Internacional de Tecnologias Quânticas
Para os investidores e empresas de tecnologia dos países do BRICS, o Fórum Internacional de Tecnologias Quânticas, programado para 2026, deve funcionar como uma vitrine para projetos inovadores e um espaço de negociação comercial. Este evento será um termômetro para medir o ritmo com que o bloco pretende converter sua capacidade científica em uma vantagem competitiva global, reafirmando o Brasil como um ator crucial nesse cenário tecnológico emergente.

