Críticas à Candidatura de Lula e ao Cenário Político Atual
A revista britânica The Economist publicou um editorial nesta terça-feira, 24 de outubro de 2023, discutindo o futuro político do Brasil e sugerindo que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não deveria se candidatar à reeleição em 2026. O periódico ressalta que o Brasil ‘merece escolhas melhores’, mesmo reconhecendo a resiliência das instituições democráticas no país.
O principal argumento da publicação para desencorajar Lula de buscar um novo mandato é a sua idade, visto que o presidente completou 80 anos em outubro. Apesar de já ter declarado a intenção de concorrer novamente, a The Economist argumenta que ‘é arriscado demais ter alguém tão idoso no poder por mais quatro anos’. A revista complementa que, apesar do carisma político, isso não serve como proteção contra o declínio cognitivo.
Dentre as comparações feitas, a revista cita o ex-presidente americano Joe Biden, que decidiu retirar-se da corrida eleitoral meses antes das eleições, sugerindo que Lula poderia seguir um caminho similar para consolidar seu legado.
Críticas às Políticas Econômicas e Cenário de Adversários
Embora o editorial critique as políticas econômicas de Lula, que são vistas como medíocres, a revista observa que o presidente não enfrenta adversários sérios no centro ou na esquerda que poderiam desafiá-lo na corrida presidencial. Segundo a análise, as políticas de Lula se concentram em auxílio aos mais pobres, mas a arrecadação de receitas tende a ser desfavorável às empresas, embora tenha atraído algum apoio com uma reforma tributária simplificada.
A The Economist também dirigiu críticas à escolha do ex-presidente Jair Bolsonaro em apoiar o senador Flávio Bolsonaro como pré-candidato do PL à presidência. A revista descreve Flávio como ‘impopular e ineficaz’, afirmando que ele quase certamente perderia para Lula em uma eventual disputa. Outros nomes estão sendo considerados, incluindo o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, descrito como um candidato competente e ponderado.
Possibilidades Futuras e Preocupações com a Polarização
O editorial sugere que Tarcísio de Freitas ‘deveria ter a coragem de se lançar na disputa’, destacando que, ao contrário dos Bolsonaros, ele é considerado um democrata. A análise levanta a questão sobre a união dos partidos de direita, sugerindo que, se forem sábios, abandonariam a candidatura de Flávio e se uniriam em torno de um candidato que possa superar a polarização existente entre os governos Lula e Bolsonaro.
A revista conclui enfatizando a necessidade de um candidato de centro-direita que possa reduzir a burocracia, respeitar as florestas tropicais, ser rigoroso com o crime, respeitar as liberdades civis e honrar o Estado de Direito. A expectativa para as eleições de 2026 é de preocupação, com o futuro político do Brasil ainda incerto.

