Determinação e Sacrifício no Caminho do Sucesso
Desde pequeno, Janderson dedicava seu tempo ao futebol e aos estudos, sempre cercado pelo apoio de seus pais. No entanto, ao atingir a adolescência, ele percebeu que se tornar um jogador profissional seria um desafio enorme. Com apenas 16 anos, decidiu que era hora de ajudar sua família, já que as finanças da casa não eram favoráveis. Assim, surgiu sua vontade de conquistar a independência financeira para comprar suas coisas e auxiliar seus pais.
Para isso, Janderson começou a vender doces nas ruas. Ele percorria longas distâncias, comprando mercadorias no Mercadão de Madureira e vendendo-as em diferentes bairros do Rio de Janeiro. A rotina exigia disciplina: depois dos treinos no Ação, um time da Série C, ele se aventurava pelas ruas, levando seu produto aos clientes de bares e restaurantes.
Seu dia começava cedo, às sete da manhã, e só terminava por volta das seis da noite. Para garantir o estoque, Janderson muitas vezes pegava dinheiro emprestado e retribuía depois. Ao lado de amigos de infância, que até hoje conta como parte de sua vida, Janderson se dedicava ao ofício de vendedor, sempre com o sonho de se tornar jogador profissional.
Doçura e Lutas: O Caminho Difícil
Vender doces não era apenas uma forma de sustento, mas um verdadeiro trabalho. Janderson chegou a faturar cerca de cinco mil reais mensais, o que lhe permitia ajudar sua família e, ao mesmo tempo, viver suas experiências de lazer nos fins de semana. Contudo, as dificuldades estavam sempre presentes. O jovem enfrentava a rejeição de alguns clientes e a desmotivação em dias difíceis, mas a persistência foi sua maior aliada. Cada venda representava uma contribuição para sua família, além de ser um passo a mais em direção ao seu sonho.
Após quatro anos dedicados a essa rotina, uma nova oportunidade surgiu. Janderson recebeu uma proposta para jogar no Campeonato Maranhense pelo São José, influenciado por seu empresário, que havia conhecido em 2019. Embora tenha tentado se destacar em outros clubes, nada funcionou até aquele momento. Em sua nova jornada, ele orou pedindo a Deus uma chance, considerando-a sua última tentativa. E assim, a vida de Janderson tomou um novo rumo.
O Reconhecimento e o Futuro Promissor
No Maranhão, Janderson se destacou como vice-artilheiro do campeonato, marcando sete gols em 15 partidas. Seu desempenho chamou a atenção do Bahia de Feira e, em seguida, vieram propostas do Botafogo e da Ponte Preta. Ele optou por se juntar ao sub-23 do Botafogo, acreditando que essa escolha o levaria ao profissional. E sua confiança se confirmou. Durante um amistoso contra o Audax, Janderson fez uma apresentação impressionante, marcando três gols, o que o fez ser promovido para o time principal.
Esse momento foi um divisor de águas na vida do jovem jogador. A alegria de finalmente ser reconhecido como jogador profissional era indescritível, especialmente considerando que muitos não acreditavam mais em sua trajetória. Janderson reflete que, se não tivesse seguido o caminho do futebol, poderia ter se desviado para a vida errada, devido às dificuldades enfrentadas. Porém, sua determinação e ética o mantiveram no caminho certo, e ele sempre priorizou fazer o bem.
Compromisso com a Comunidade e o Futuro
Desde a infância, Janderson sempre buscou ajudar os outros, seja auxiliando quem precisava ou organizando eventos beneficentes em sua comunidade. Anualmente, ele realiza festas para crianças, distribui cestas básicas e ovos de Páscoa, mostrando seu lado generoso e solidário. Além disso, Janderson expressa o desejo de concluir seus estudos e, futuramente, cursar educação física, reafirmando que, mesmo depois de encerrar a carreira como atleta, deseja continuar ligado ao futebol de alguma maneira.
Hoje, Janderson é um exemplo de superação e dedicação. Sua trajetória, marcada por desafios e sacrifícios, é um testemunho da força de vontade que pode transformar vidas. O jovem jogador se destaca não apenas por seu talento em campo, mas também por sua determinação em fazer a diferença na vida das pessoas ao seu redor.

