Uma Nova Era na Educação com a IA
Nesta segunda-feira, 13 de novembro, o Conselho Nacional de Educação (CNE) deverá se manifestar sobre a primeira regulamentação oficial de uso da inteligência artificial (IA) nas instituições de ensino do Brasil. As diretrizes, que foram revisadas com contribuições do Ministério da Educação (MEC), visam estabelecer um ‘filtro ético-pedagógico’ para a adoção dessa tecnologia nas escolas e universidades.
De acordo com Celso Niskier, um dos relatores da proposta, o texto foi ‘enxugado’ para focar em diretrizes mais centrais. A discussão sobre a formação de professores na área de IA será abordada em outros fóruns.
Se a proposta for aprovada nesta segunda, ela ainda passará por consulta pública e, posteriormente, será votada em plenário pelo Conselho, seguindo então para a homologação final do ministro da Educação.
Aspectos Centrais da Votação
A proposta, segundo Niskier e seu colega relator Israel Batista, reforça que a tecnologia deve ser um suporte ao aprendizado e não uma ‘titular’. Os pilares da nova norma incluem:
- Centralidade do professor: A resolução reitera que a IA deve atuar como apoio e que o papel do docente permanece essencial na mediação do aprendizado.
- Aprendizado ‘com’ a IA: Nas escolas, o foco está no letramento digital, ou seja, ensinar os alunos a utilizarem a tecnologia de maneira ética e crítica.
- Preparação para o mercado: No ensino superior, a intenção é capacitar os estudantes para um mercado de trabalho onde robôs e análise de dados são cada vez mais comuns.
- Revisão humana obrigatória: Todo conteúdo gerado por IA deve passar por supervisão humana com uma clara intencionalidade pedagógica.
- Ética e proteção de dados: Regras rigorosas serão implementadas para garantir a transparência e coibir o uso inadequado de dados pessoais dos alunos.
- Equidade no acesso: A tecnologia tem que ser utilizada para diminuir desigualdades, e não ampliar a divisão entre aqueles com e sem acesso ao digital.
Pontos Que Ainda Precisam de Discussão
Atendendo a pedidos do MEC, alguns aspectos foram retirados da proposta original e serão discutidos em momento posterior. Entre eles estão:
- Formação de professores: A inclusão do ensino de IA nas licenciaturas será discutida dentro das Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs).
- Observatório de IA: A criação de um centro nacional para a análise de dados sobre tecnologia educacional foi adiada.
- Financiamento: A proposta de uma linha de crédito para que estados e municípios adotassem soluções tecnológicas também não será abordada nesta votação.
Diferenças entre as Normas do CNE e o Guia do MEC
O documento do MEC intitulado ‘Inteligência Artificial na Educação Básica’, publicado em março deste ano, apresenta mais detalhes e distingue o aprendizado em duas frentes: o ensino ‘sobre IA’ e o ensino ‘com IA’. No entanto, não menciona as universidades e limita-se a sugerir diretrizes para as redes de ensino. Já as normas do CNE atuam como um marco regulatório abrangente, estabelecendo diretrizes para todos os níveis de ensino e definindo responsabilidades institucionais e objetivos estratégicos para as universidades e escolas.
Com as mudanças propostas, o CNE busca garantir que a introdução da inteligência artificial nas salas de aula contribua para uma educação mais ética, inclusiva e adaptada às necessidades do futuro. Assim, o cenário educacional brasileiro passa por uma transformação que pode impactar gerações de estudantes.

