Uma Homenagem ao Carnaval e a Mestre Ciça
No coração do carnaval carioca, a escola de samba Viradouro alcançou um feito memorável ao conquistar o Estandarte de Ouro de 2026, solidificando sua posição como uma das maiores representantes da folia. O desfile deste ano, que rendeu aplausos e ovacionou a figura icônica de Mestre Ciça, foi uma verdadeira celebração não apenas da música, mas de toda a cultura do carnaval. O enredo, que destacou a trajetória de Ciça, mesclou tradição e inovação, deixando uma marca indelével na memória dos espectadores.
O júri, ao avaliar a apresentação, reconheceu a maneira magistral como a Viradouro trouxe à vida o carisma de Mestre Ciça, um símbolo do samba tradicional. Ele foi o fio condutor do desfile, participando ativamente tanto na abertura quanto no fechamento da apresentação. Após a sua performance na comissão de frente, Ciça não hesitou em pegar uma moto e conectar-se aos ritmistas posicionados no final da escola. Em um momento emocionante, ele subiu em um carro alegórico ao lado da atriz Juliana Paes, que fez seu retorno ao posto de rainha após 17 anos, e ali, de cima, regeu a bateria com maestria.
“Foi uma experiência única. Quando decidimos fazer do Ciça o nosso enredo, não foi apenas sobre ele, mas sobre todos os sambistas que constroem o carnaval. O público recebeu essa mensagem com entusiasmo, e até mesmo aqueles que não torcem para a escola passaram a apoiar a história que estávamos contando”, destacou Alex Fab, diretor da Viradouro.
O Impacto da Comissão de Frente
A Viradouro não só levou para casa o prêmio de melhor escola, mas também foi reconhecida como a melhor Comissão de Frente do carnaval. Os coreógrafos Priscilla Mota e Rodrigo Negri apresentaram uma abertura arrebatadora, intitulada “Eu vi… A Vida Pulsar Como Fosse Canção”, que capturou a essência da vida do sambista Moacyr Silva Pinto. “A ideia era trazer o apito do mestre como um símbolo de comunicação com a escola, um elemento que representa o início e o fim do desfile”, comentou Priscilla, ressaltando a emoção que permeou toda a produção.
Além disso, durante o desfile, Mestre Ciça foi saudado pelo público, que o cercou em um momento de grande emoção. “O carnaval triunfou hoje. A emoção da escola e do povo prevaleceu. Fizemos um desfile digno de campeã”, celebrou Ciça, um verdadeiro ícone do samba.
Reconhecimento e Homenagens
Entre os diversos prêmios entregues na cerimônia, o mestre-sala Julinho conquistou seu sexto Estandarte, uma celebração à sua carreira e uma homenagem emocional ao irmão Edson Ney, que faleceu recentemente. “Essa vitória é uma dívida de gratidão com ele. Prometi que este carnaval seria em sua memória”, disse Julinho, ainda emocionado pela perda.
O Estandarte de Ouro, considerado o “Oscar do sambista”, é uma tradição que começou em 1972 e que premia as instituições que fazem a folia acontecer. Neste ano, os jurados escolheram as melhores apresentações nas mais variadas categorias, desde melhor escola até personalidade do carnaval, reforçando a importância da cultura sambística no Brasil.
O Futuro do Carnaval e a Celebração da Cultura
Com a participação de 14 jurados, as escolas do Grupo Especial foram avaliadas ao longo de três noites de desfiles, onde as campeãs foram reveladas ao término de cada evento. A Viradouro, junto com outras escolas, conquistou seu lugar devido à qualidade e ao impacto social de suas apresentações. A Unidos de Padre Miguel, na Série Ouro, também foi destacada, mostrando que o carnaval é um espaço democrático e de celebração da cultura.
Para aqueles que desejam vivenciar a entrega dos prêmios, os ingressos para a cerimônia, marcada para o dia 4 de março às 19h30, já estão à venda. Com preços acessíveis, a premiação promete ser mais uma festa em homenagem à cultura do samba, reunindo sambistas e amantes do carnaval em um evento que muito representa a nossa identidade.

