Uma Reflexão Através da Arte
A Estação Cultural de Olímpia receberá a partir de 27 de fevereiro a exposição individual ‘Terra: Olímpia’, da artista Zilah Garcia. Este projeto artístico ambicioso aborda temas como identidade nacional, diáspora nordestina e apagamentos históricos, sob a curadoria de Agnaldo Farias. A mostra apresenta 15 obras que promovem um diálogo entre experimentação material, memória afetiva e crítica social, inspiradas no icônico livro ‘Os Sertões’, de Euclides da Cunha. Dentre as criações, destacam-se as obras ‘Terra Ignota’ e ‘Culto das Seis’, além de um mural inédito e site specific de 3m x 5m.
A exposição ‘Terra: Olímpia’ é a continuação de um projeto que teve início em 2025, no Centro Cultural dos Correios, no Rio de Janeiro, onde Garcia explorou a relação entre ‘Os Sertões’ e diversas fontes sobre o Arraial do Monte Santo, incluindo literatura, jornalismo, tradições orais e cultura popular. Essas abordagens revelam Antonio Conselheiro e seu povoado além do trágico massacre da Guerra de Canudos. Essa narrativa histórica, que marca o fim do século XIX, destaca a seca como um elemento simbólico e político, moldando não apenas a identidade nordestina, mas a nacional.
Identidade e Migração em Foco
A exposição em Olímpia muda o foco para os fluxos migratórios nordestinos e suas repercussões identitárias no interior paulista. A escolha da cidade para a realização desta mostra não é acidental. Olímpia, conhecida por sua intensa migração no século XX, incluindo a família da própria artista, se tornou um importante centro de preservação da cultura popular nordestina. Reconhecida como a Capital Nacional do Folclore, através da Lei Federal nº 13.566, a cidade abriga um dos festivais mais significativos do mundo.
O ponto alto da exposição é um mural inédito que estabelece relações formais com o muralismo mexicano, explorando tensões e contradições da identidade nordestina, que se forma tanto pelo desenraizamento quanto pela resistência cultural. Zilah Garcia cria uma cartografia afetiva onde terra, memória e materialidade se entrelaçam em um gesto poético e político.
Artista e Sua Trajetória
Zilah Garcia, natural de Olímpia, cresceu envolta no universo artístico, influenciada pelo ateliê de sua mãe. Após uma carreira de quase 30 anos no mercado de moda e estamparia, a artista retornou às artes plásticas nos últimos três anos, período em que se aprofundou em técnicas como o afresco na Itália e frequentou cursos da Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio de Janeiro. Sua primeira exposição individual ocorreu em 2024, no Casa Cor São Paulo, e desde então, seu trabalho vem sendo cada vez mais reconhecido.
Em sua obra, Garcia utiliza a terra como principal material, dando vida a pinturas-objetos que, apesar de usarem a tela como suporte, ganham um caráter tridimensional através de um processo artesanal e experimental. O efeito craquelado das obras simula a seca, um elemento central na discussão sobre forma e espaço. Para isso, ela coleta terra de diversas regiões do Brasil, criando uma massa que é esculpida na tela durante o processo de secagem. Através de técnicas manuais e inovações, Zilah transforma a seca em uma solução criativa, garantindo a longevidade de suas obras.
Documentário e a Relação com Canudos
A exposição também conta com um filme que documenta a viagem de Zilah a Canudos, na Bahia, em 2024. Na projeção, a artista revisita a paisagem descrita por Euclides da Cunha, revelando como sua vivência na região influenciou sua pesquisa. “As pinturas e instalações de Zilah não apenas representam a terra; elas são a própria terra”, afirma Agnaldo Farias, curador da exposição. Segundo ele, a obra de Garcia demonstra que a beleza de Olímpia vai além de sua geografia, sendo também uma homenagem às pessoas que foram moldando a cidade e sua história com resiliência e esperança.
Serviço
Exposição: ‘Terra: Olímpia’
Artista: Zilah Garcia
Curadoria: Agnaldo Farias
Local: ECO – Estação Cultural de Olímpia – R. Cel. José Medeiros, 477 – Patrimônio de São João Batista, Olímpia
Abertura: 27 de fevereiro de 2026, às 18h
Encerramento: março de 2027
Visitação: diariamente, das 9h às 21h
Entrada franca | Classificação livre

