Pressão por Justiça e Transparência
A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, expressou seu profundo pesar na última segunda-feira (16) pela morte da médica Andréa Marins Dias. A profissional foi fatalmente atingida por disparos em uma ação policial no Rio de Janeiro. Em suas redes sociais, Anielle descreveu o incidente como “desolador” e afirmou estar cobrando das autoridades uma investigação “rápida e rigorosa” sobre o caso.
“Câmeras corporais estavam em uso durante a abordagem. Estamos pressionando os responsáveis para que a investigação ocorra de forma ágil e minuciosa. Envio meu abraço e solidariedade aos familiares e amigos de Andréa. É extremamente triste e revoltante”, afirmou a ministra. Em um tom crítico, ela questionou: “Até quando a ausência de políticas de segurança levará a cenas como essa?”.
O Tiroteio e a Confusão Fatal
O trágico incidente ocorreu na noite de domingo (15), durante um patrulhamento realizado pela Polícia Militar na região de Cascadura, localizada na zona norte do Rio. A suspeita é de que os agentes tenham confundido o veículo de Andréa, que saía da casa dos pais, com o de criminosos.
A Secretaria de Estado de Polícia Militar informou que os agentes receberam um alerta sobre um carro modelo Corolla Cross supostamente envolvido em roubos na área. Durante a operação, três veículos foram identificados, incluindo o modelo mencionado na denúncia. Testemunhas relataram que ocupantes de um dos carros abriram fogo contra a viatura, o que desencadeou uma troca de tiros e uma perseguição policial.
Após o tiroteio, os agentes localizaram o Corolla Cross, que apresentava marcas de disparos. Ao abrirem a porta do veículo, encontraram Andréa no banco do motorista já sem vida.
Investigação em Andamento
O caso está sendo investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital, que tem como foco apurar de onde partiu o tiro que resultou na morte da médica. As armas dos policiais e as câmeras corporais utilizadas durante a operação foram apreendidas para análise. A Secretaria de Estado de Polícia Militar garantiu que todo o material está à disposição da Polícia Civil para elucidação dos fatos.
Legado de Andréa Marins Dias
Andréa Marins Dias, de 61 anos, formou-se em medicina pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Uni-Rio) e era uma reconhecida ginecologista e cirurgiã geral e oncológica, com quase 30 anos de dedicação à saúde da mulher. Em suas redes sociais, ela compartilhava informações e dicas sobre saúde, especialmente para ajudar mulheres diagnosticadas com endometriose a buscarem tratamento adequado.
Com mais de 3 mil seguidores no Instagram, Andréa também era autora de um eBook sobre saúde feminina. Na segunda-feira (16), a conta oficial da médica publicou uma nota de pesar, onde se lia: “Com profundo pesar, comunicamos o falecimento da Dra. Andréa. Sua dedicação à medicina e ao cuidado com tantas mulheres deixa um legado que jamais será esquecido. Neste momento de dor, expressamos nossa solidariedade à família, amigos e pacientes. Que sua memória permaneça viva em todos que foram tocados por sua história”.

