Operação Colmeia: Ações Conjuntas para Combater o Tráfico na Lapa
A Operação Colmeia, que visa desarticular o tráfico de drogas na Lapa, um dos bairros mais boêmios e movimentados do Rio de Janeiro, foi iniciada na terça-feira, 17 de outubro. Até o momento, as equipes policiais conseguiram prender 11 indivíduos envolvidos nas atividades ilícitas da região. No total, são 28 mandados de prisão preventiva que foram emitidos contra membros do Comando Vermelho (CV), facção que domina a venda de entorpecentes no local.
Um dos nomes mais procurados é Wilton Carlos Rabello Quintanilha, conhecido como Abelha, um dos líderes da facção. Ele já se encontrava foragido devido a outros crimes. Vale destacar que três dos alvos da operação já estavam encarcerados, enquanto os demais foram capturados durante as diligências.
A ação é coordenada pela Divisão de Capturas e Polícia Interestadual (DC-Polinter), com a participação de tropas de elite das polícias Civil e Militar, incluindo a Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope). Essas unidades têm como foco a repressão ao crime organizado e a segurança da população.
Investigação e Contexto da Operação
As investigações que levaram à Operação Colmeia tiveram início em outubro de 2024, na 5ª DP (Mem de Sá). Em novembro do ano passado, 25 traficantes foram indiciados e seus mandados de prisão foram solicitados. O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), através do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), denunciou um total de 30 indivíduos, todos agora respondendo judicialmente.
A análise da 5ª DP revelou que o tráfico na Lapa é gerido a partir do Fallet/Fogueteiro e liderado por Abelha. Outra figura central é Anderson Venâncio Nobre de Souza, conhecido como Piu ou Português, que, mesmo preso, é considerado o gerente operacional das atividades criminosas.
No decorrer da operação, as equipes policiais chegaram à residência de Piu, localizada no alto do morro. O imóvel, que ainda está em reforma, conta com infraestrutura luxuosa, incluindo piscina, churrasqueira e uma vista panorâmica da comunidade, além de outros cômodos sofisticados como uma academia e cozinha integrada.
Dinâmica do Tráfico e Impactos nas Comunidades
As investigações indicam que Abelha e Piu controlam os pontos de venda de drogas na Lapa, sendo que o maior deles está situado a apenas 200 metros dos icônicos Arcos da Lapa, entre a Travessa Mosqueira e a Rua Joaquim Silva. Os traficantes costumam utilizar casarões abandonados como pontos de venda, onde usuários formam filas para adquirir entorpecentes, em um esquema que se assemelha a um “feirão”.
As drogas são embaladas no Fallet/Fogueteiro e distribuídas através de táxis, mototáxis e, frequentemente, por mulheres conhecidas como “mulas”. Em frente à famosa Escadaria Selarón, atração turística da área, um mural presta homenagem a Pablo Carlos Rodrigues Rabello, o filho de Abelha, que foi morto em confronto com a polícia em 2019.
A Polícia Civil também revelou que, entre os 28 procurados na operação, 22 não apresentavam antecedentes criminais, incluindo os responsáveis pela logística do tráfico, conhecidos como “gerentes de carga”. Este dado é alarmante, indicando que o tráfico pode estar se alastrando por novas áreas.
Desde o ano passado, o tráfico na Lapa tem se adaptado, mudando a localização das bocas de fumo em resposta a uma série de prisões efetuadas pelas autoridades. Nomes como Abelha e Piu são mencionados por seus subordinados como “Tropa do Mel” e “Tropa do Português”, com referências visuais a abelhas e mel circulando nas redes sociais e na comunidade.

