Estratégia Política do PT em Goiás
A recente aproximação do Partido dos Trabalhadores (PT) com Marconi Perillo, ex-governador de Goiás, marca uma nova fase nas estratégias eleitorais do partido no estado. Essa investida ocorre em um cenário onde as apostas pelo isolamento de Perillo se intensificam, com a avaliação de que seu apoio não se consolidaria, uma vez que os votos mais radicais tenderiam a seguir candidatos como Vilela ou Wilder. Em meio a resultados insatisfatórios nas últimas eleições, a liderança de Luiz Inácio Lula da Silva e outros nomes influentes do PT almejam estabelecer um palanque robusto em Goiás, um estado-chave para diálogo com o agronegócio, que poderia ser viabilizado por meio da formalização de uma aliança.
Em 2022, Lula já havia manifestado interesse em se aproximar de Perillo, que, no entanto, decidiu não se unir ao petista. O tucano, que tem quatro mandatos como governador, consolidou-se como um dos principais quadros do PSDB quando o partido era o rival número um do PT. Essa trajetória ainda alimenta o sentimento antipetista entre seus apoiadores mais fiéis.
Desafios e Cautelas na Relação
Embora a interação entre PT e Perillo seja considerada respeitosa, o ex-governador manifesta cautela em relação a uma possível aliança, citando preocupações que vão além do meramente político. “Meu maior problema em me unir ao PT não é pessoal ou partidário, mas sim ideológico e eleitoral. Não tenho questões pessoais com essas pessoas, exceto com o Caiado”, comenta Perillo, revelando sua ambivalência sobre a eficácia de um acordo com o PT.
A articulação política da aproximação é liderada pela deputada federal Adriana Accorsi, que ocupa a vice-liderança do PT na Câmara e preside o diretório local. Accorsi mantém uma boa relação com Perillo, sendo a primeira mulher a ser nomeada delegada-geral da Polícia Civil de Goiás por ele em 2011. Apesar de ser considerada uma forte candidata a uma posição de destaque nas próximas eleições, seu desejo principal é continuar sua trajetória no Congresso Nacional.
Movimentações e Perdas no PSDB
Recentemente, Perillo enfrentou perdas consideráveis em seu partido. A deputada federal Lêda Borges abandonou o PSDB após duas décadas de filiação para apoiar Vilela. Em janeiro, a vereadora de Goiânia Aava Santiago saiu do partido para liderar o núcleo local do PSB. Santiago, que já fez parte da equipe de transição de Lula em 2022, é vista como uma figura relevante para fortalecer o diálogo do presidente com as comunidades religiosas.
Cenário Eleitoral em Goiás
Marconi Perillo, por sua vez, vem de duas tentativas frustradas para o Senado, com desempenhos aquém do esperado nas eleições de 2018 e 2022. Ele critica a pressa na definição das composições políticas, defendendo que não há necessidade de acelerar as decisões. “Houve uma precipitação muito grande dos outros candidatos. Não acho prudente que seja feito assim, porque não há pressa”, ressalta, confirmando sua intenção de se candidatar. “Preciso continuar contribuindo para o estado com um bom plano de governo e evitar que o Caiado finalize a narrativa da minha biografia”, acrescenta.
Em 2018, a vitória de Ronaldo Caiado interrompeu duas décadas do domínio de Perillo sobre a política goiana. A ascensão de Caiado ao governo foi marcada por declarações duras contra Perillo, que, por sua vez, teve que lidar com um histórico de adversidades políticas, especialmente em relação a outros líderes políticos da região, como Iris Rezende e Maguito Vilela, que já contaram com o apoio de Lula em campanhas anteriores.
Desempenho do PT e Futuras Candidaturas
Historicamente, os candidatos do PT em Goiás não têm se destacado nas eleições. O melhor desempenho foi em 2002, com Marina Santana, que obteve quase 16% dos votos. Nas coligações posteriores, o partido registrou resultados inferiores, refletindo a dificuldade de estabelecer uma base sólida em várias regiões do estado. Edward Madureira, um dos vereadores mais votados em Goiânia, expressa ceticismo quanto a uma candidatura própria do PT, sugerindo que tal movimento seria mais simbólico do que efetivo. Ele, no entanto, prioriza uma vaga na Câmara dos Deputados, vislumbrando uma oportunidade real de vitória, apesar dos desafios.
Aava Santiago, por sua vez, mantém suas opções em aberto, tanto para a candidatura à deputada federal quanto para o Senado, enquanto Madureira acredita na importância de aumentar a bancada progressista na Câmara para enfrentar os desafios futuros do Brasil.

