Crescimento alarmante no número de solicitações
A Prefeitura do Rio de Janeiro registrou uma quantidade impressionante de 39.154 pedidos de remoção de entulho e resíduos nas vias públicas apenas nos primeiros três meses de 2026. Essa média representa cerca de 501 chamados por dia, superando o total de solicitações do ano anterior, que foi de 155 mil, o que corresponde a uma média de 424 pedidos diários.
O sistema 1746, responsável por coletar essas informações, aponta que a Zona Norte é a área mais afetada, somando 11.349 pedidos, seguida pela Zona Oeste, com 6.024 solicitações. A situação nas ruas e calçadas do Rio, onde o acúmulo de lixo se tornou uma constante, está chamando a atenção dos moradores e autoridades.
Depósitos de lixo na comunidade
Em muitos bairros, as ruas têm se transformado em verdadeiros depósitos a céu aberto. Um exemplo é a rua Leopoldina Rego, em Ramos, onde restos de obras, móveis velhos, colchões e até vasos sanitários têm tomado conta da paisagem sob os viadutos Cosme e Damião. Moradores da região relatam que a situação tem se agravado nos últimos meses.
César da Silva, um taxista que trabalha na área, comentou sobre o impacto das obras na vizinhança: “Quando começaram as obras em Ramos, esse lugar virou um depósito de tudo que sobra. Gente de todos os lugares vem jogar aqui”. A cabeleireira Neuza de Oliveira também expressou sua frustração, afirmando que até mesmo caminhar pela região tem se tornado difícil.
Valéria Cardoso, uma vendedora local, reclamou da ineficiência da coleta de lixo. “Jogam lixo toda hora e, quando o gari vem, ele só recolhe o que está na beirinha. O resto fica”, disse ela.
Cenário preocupante na Zona Oeste
A Zona Oeste também enfrenta desafios semelhantes. Em Campo Grande, um terreno na esquina da Estrada da Posse com a rua Sampaio Lacerda se tornou um ponto de descarte irregular, acumulando entulho e restos de móveis, o que gera acúmulo de água suja. Em Vargem Grande, a situação não é diferente, com lixo se espalhando pelo acostamento da Estrada dos Bandeirantes. Moradores do Recreio, por sua vez, relatam que a Avenida Salvador Allende está tomada por lixo de ponta a ponta.
Tânia Maria Pereira, outra cabeleireira da região, atribui o problema à falta de conscientização da população. “As pessoas são muito mal educadas. Elas vão colocando entulho, de tudo. Qual é a solução? Nem sei”, desabafou.
Impacto na saúde e bem-estar local
A preocupação dos moradores é palpável, uma vez que convivem com não só a estética degradada, mas também os efeitos na saúde pública. A presença de mau cheiro, insetos e o aumento da população de ratos são uma realidade constante. “É um cheiro horrível… cheio de rato, de bicho. É complicado”, relatou César, enquanto Valéria complementou, “Dentro de casa tá cheio de rato, e não é rato pequeno, não. É rato grande”.
Tânia expressou seu constrangimento sobre a situação: “A gente sente até vergonha. Não é legal”. Esse descontentamento é compartilhado por muitos que vivem nas proximidades de pontos de descarte irregular.
A resposta da Comlurb
A Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) anunciou que tem intensificado suas ações de combate ao descarte irregular de resíduos. Isso inclui a implantação de ecopontos em áreas estratégicas, a instalação de contêineres de alta capacidade e um aumento na fiscalização e aplicação de multas para aqueles que descartam lixo em locais inadequados.
A Comlurb também ressalta que quem é pego descartando lixo de maneira irregular pode enfrentar penalidades e orienta a população a utilizar o serviço gratuito de remoção de entulho, disponível através do telefone 1746.

