Expectativa em Torno do Julgamento
A partir de hoje, 23 de outubro, o 2º Tribunal do Júri do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro dará início ao julgamento que envolve a morte do menino Henry Borel, de apenas 4 anos. O crime, que aconteceu em março de 2021, chocou o Brasil ao mostrar sinais evidentes de agressão na criança, tornando-se um dos casos mais emblemáticos dos últimos anos.
Os réus, Monique Medeiros, mãe de Henry, e Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho e padrasto do menino, enfrentam um julgamento que deve durar cerca de dez dias. Neste primeiro dia, apenas as testemunhas de acusação serão ouvidas, e mais de 20 pessoas devem prestar depoimentos. A expectativa é alta, com um clamor por condenações que podem ultrapassar 35 anos de prisão para cada um dos réus, enquanto a defesa sustenta que a morte do garoto foi um trágico acidente.
Ambos os réus estão detidos no Complexo de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste do Rio. Monique encontra-se no Instituto Penal Talavera Bruce, uma das maiores prisões femininas do estado, enquanto Jairo está no Presídio Pedrolino Werling de Oliveira, conhecido como Bangu 8. A sessão será presidida pela juíza Elizabeth Machado Louro.
Clamor por Justiça e Desaparecimento de Testemunha
Leniel Borel, pai de Henry, concedeu uma entrevista à Itatiaia, expressando sua incessante busca por respostas sobre a morte do filho. Ele levantou preocupações sobre o desaparecimento de uma testemunha chave: a babá que, segundo Leniel, teria presenciado uma agressão contra a criança. “Ela viu muita coisa, ouviu muita coisa. Sumiu ou sumiram com ela?”, questionou o pai, que também pediu ao povo brasileiro que continue acompanhando o caso e exigindo justiça.
Durante a conversa, Leniel não poupou críticas aos argumentos da defesa, classificando-os como “uma grande mentira”. “Eles podem me atacar, mas estou com Deus. Estou com a verdade. A verdade é aquilo que se fala mil vezes”, afirmou, ressaltando o tempo que tem lutado por justiça. “Luto por justiça pelo meu filho há mais tempo do que o tempo que passei com ele em vida”, acrescentou, pedindo apoio contínuo da população nessa batalha.
Inconsistências e Novas Revelações na Defesa
A defesa de Dr. Jairinho, liderada pelo advogado Fabiano Lopes, questiona a causa da morte do menino. Lopes argumenta que ainda há incertezas sobre se Henry foi vítima de homicídio, teve morte natural ou se ocorreu um erro médico. O advogado também levantou questões sobre supostas inconsistências no processo, destacando a existência de sete laudos periciais. “Nunca vi um processo com tantos laudos de necropsia”, disse, ressaltando que os primeiros documentos não indicavam homicídio.
A defesa alega que novos elementos foram adicionados ao caso semanas após os laudos iniciais, alterando a interpretação sobre a causa da morte. Eles prometem trazer à tona novas informações durante o julgamento que podem mudar a narrativa do que realmente ocorreu.
Silêncio da Defesa de Monique
Até o momento, a defesa de Monique Medeiros não se manifestou sobre o julgamento. Com isso, os olhares se voltam para o tribunal, onde as expectativas são altas e a sociedade aguarda por respostas e justiça.
Entenda o Funcionamento do Júri Popular
O júri popular, conforme estipulado na Constituição Federal, é um instrumento que garante que crimes dolosos contra a vida sejam julgados não apenas por juízes, mas também por representantes da sociedade. Essa abordagem visa refletir a visão popular, conferindo mais legitimidade às decisões judiciais. Para cada caso, uma lista de cidadãos é elaborada, dos quais 26 são sorteados para o julgamento. Do total, sete serão escolhidos para compor o júri, e tanto a acusação quanto a defesa têm a possibilidade de rejeitar até três jurados.
No dia do julgamento, após a seleção dos jurados, o juiz lê um resumo do caso e inicia a oitiva das testemunhas, seguindo com as falas da acusação e da defesa. As decisões são tomadas em votação secreta, exigindo apenas a concordância de quatro jurados para a condenação.
A responsabilidade de decidir sobre a culpabilidade do acusado recai sobre os jurados, enquanto o juiz apenas define a pena a ser aplicada, conforme a legislação vigente.

