Mudanças na Casa Civil do Rio de Janeiro
O cenário político no Rio de Janeiro está agitado com a recente nomeação de um novo secretário da Casa Civil, em meio a uma disputa intensa na Assembleia Legislativa do Estado (Alerj). A troca de comando ocorre em um momento crítico, às vésperas da eleição indireta que escolherá o novo governador para o restante do mandato até o fim de 2026. A exoneração de Nicola Miccione, ex-braço direito do governador Cláudio Castro, foi o primeiro ato do atual governador em exercício, o desembargador Ricardo Couto, que assumiu o cargo após a renúncia de Castro, formalizada na segunda-feira (23).
Com a saída de Miccione, quem ocupa o cargo é Simões, que agora assume a função com novos desafios e uma estrutura de poder ampliada. Um decreto assinado por Castro, publicado em edição extra do Diário Oficial, ampliou consideravelmente as atribuições da Casa Civil, transformando-a em um dos principais núcleos de poder dentro do governo estadual.
A Ampliação dos Poderes
O novo decreto, que fortalece a Casa Civil, concede ao secretário uma série de novas competências. Entre elas, a capacidade de nomear e exonerar cargos comissionados em diferentes órgãos, alterar estruturas administrativas e designar servidores para funções essenciais. Além disso, a pasta passa a ter responsabilidade sobre atos de gestão orçamentária e financeira, como abertura de créditos e ajustes de despesas.
Essas alterações são baseadas em um dispositivo da Constituição estadual que permite ao governador delegar competências. Assim, a Casa Civil se transforma de um simples órgão de articulação política para um protagonista na administração pública, gerando repercussões significativas.
Reação da Assembleia Legislativa
As mudanças não passaram despercebidas pelos deputados da Alerj. A bancada do PSOL protocolou um Projeto de Decreto Legislativo com a intenção de suspender os efeitos do controverso decreto que expandiu os poderes da Casa Civil. O deputado Flavio Serafini, que preside o partido no estado, expressou fortes críticas à medida. Em suas palavras, o decreto é considerado um “absurdo” e “vergonhoso”, levantando preocupações sobre a possibilidade de continuidade de práticas indesejadas no âmbito da Justiça Eleitoral.
“O decreto precisa ser derrubado. Cláudio Castro fez isso para evitar ser cassado e agora tenta manter uma figura de sua confiança no governo interino, influenciando nomeações e exonerações. Isso não pode ser aceito”, afirmou Serafini, que recebeu apoio de outros deputados, como Renata Souza, Dani Monteiro, Yuri Moura e Professor Josemar.
Conjuntura da Eleição Indireta
As mudanças na Casa Civil e a renúncia de Cláudio Castro ocorrem em um momento de transição e incertezas para o governo do estado. Com a ausência de um vice-governador e o afastamento do presidente da Alerj, o desembargador Ricardo Couto assumiu temporariamente o governo. Ele tem um prazo de até 48 horas para convocar a eleição indireta que deverá ser realizada pela Alerj dentro de 30 dias para eleger o novo governador que ocupará o cargo até o fim de 2026.
A disputa pela nova governança é ainda mais complexa devido às recentes mudanças nas regras eleitorais após uma decisão do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), que suspendeu o voto aberto e o prazo de desincompatibilização de 24 horas. Essa decisão, ainda provisória, pode ser revisada pelo próprio ministro ou pelo plenário do STF, o que deixa o cenário político em constante ebulição.

