Falta de participação social em Debate
O Ministério Público Federal (MPF) destacou a ausência de participação popular nas discussões sobre o projeto Praça Onze Maravilha, solicitando que o texto seja aprimorado e amplamente debatido com a comunidade carioca, especialmente com os moradores da área afetada. A proposta, que foi aprovada em primeira discussão na Câmara na última terça-feira (5), já passou por algumas audiências públicas, mas o MPF acredita que mais diálogos são essenciais para garantir que as vozes locais sejam ouvidas.
Conhecida por ser um dos principais pontos turísticos do Rio de Janeiro, a Praça Onze abriga o icônico Sambódromo, famoso mundialmente por sediar os desfiles de carnaval. Além disso, a região é lar de famílias que residem no local há várias gerações, o que torna a participação da comunidade ainda mais crucial.
Uma Proposta Ambiciosa para o Centro do Rio
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O projeto foi introduzido pela Prefeitura do Rio no dia 20 de novembro de 2025, em comemoração ao Dia da Consciência Negra. O Praça Onze Maravilha tem como objetivo realizar uma ampla requalificação urbana que abrange partes do Centro, Lapa, Catumbi, Estácio e Cidade Nova. Entre as principais alterações estão a demolição do Elevado 31 de Março, situado ao lado do Sambódromo, e a implementação de novas vias, moradias e infraestrutura cultural.
Com um investimento estimado em R$ 1,7 bilhão, financiado por recursos privados, as obras estão programadas para se estender até 2032. Contudo, a proposta gerou preocupações entre moradores e comerciantes, que temem que as mudanças não atendam às necessidades dos residentes locais e possam elevar o custo de vida na região.
Preocupações dos Moradores e da Comunidade
Durante a segunda audiência pública, realizada na quarta-feira (6), os participantes expressaram suas inquietações sobre o projeto. Faby Soares, coordenadora de desenvolvimento territorial do Circo Crescer e Viver, enfatizou a importância do evento, afirmando que ele proporcionou um espaço para que as reclamações da comunidade fossem ouvidas pelos vereadores. Ela destacou questões relacionadas à regularização fundiária e à precariedade das habitações locais, como as casas insalubres e a Vila Operária, que corre risco de desabamento.
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Fonte: daquibahia.com.br
O MPF, por sua vez, apontou a ausência de um plano de habitação de interesse social como um dos principais fatores de preocupação. O procurador da República, Júlio José Araújo Júnior, ressaltou que não há previsão de medidas para assegurar moradia digna para os atuais moradores da região, alertando sobre o risco de privatização de terrenos públicos e a possível necessidade de deslocamento da população mais vulnerável.
O Caminho a Seguir
O projeto Praça Onze Maravilha ainda precisa passar por uma nova e última votação na Câmara, prevista para a próxima semana. Até o momento, mais de 70 emendas foram apresentadas pelos vereadores, refletindo as preocupações levantadas nas audiências públicas. Sérgio, morador da Vila Operária há 55 anos, manifestou apoio às mudanças, mas alertou para a necessidade de garantir que todos os moradores sejam contemplados. “O projeto é bom, desde que abrace todo mundo, porque Estácio e Cidade Nova vão além do Sambódromo. Queremos melhorias, mas sem esquecer da nossa região”, afirmou.
Posicionamentos da Prefeitura e da Câmara
A Prefeitura do Rio, em resposta às críticas, garantiu que o projeto não prevê desapropriações de áreas já ocupadas, focando em terrenos públicos subutilizados e espaços que serão liberados com a remoção do Viaduto 31 de Março. Além disso, afirmou que o projeto busca preservar imóveis históricos, como a Vila Operária, e planeja a criação de novos centros culturais, como a Biblioteca dos Saberes.
A prefeitura também enfatizou que o diálogo com a sociedade é fundamental, afirmando que o projeto foi objeto de diversas audiências públicas e seminários nos últimos meses, com pelo menos cinco encontros realizados para discutir suas propostas com a população. A Câmara de Vereadores do Rio reiterou que o projeto continua em discussão e que todos os comentários feitos nas audiências estão sendo devidamente considerados por técnicos de 11 comissões.

