Novas Regras de Emplacamento e suas Implicações
Na última terça-feira (7), o Detran-RJ comunicou que não será responsável pelo emplacamento de veículos autopropelidos, conforme o novo decreto da Prefeitura do Rio de Janeiro, publicado no início da semana. Essa norma classifica alguns desses veículos como ciclomotores, o que implica a necessidade de uso de placas.
O Detran esclareceu que o registro de veículos é uma competência nacional, regida pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) e administrada pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran). Portanto, o órgão estadual alega não ter autonomia para realizar o emplacamento de veículos autopropelidos em nível local.
João Oliveira, presidente da Comissão de Direito de Trânsito da OAB-RJ, aponta que essa situação levanta um conflito de competências entre os diferentes níveis de governo. Ele explica: “Quando a prefeitura cria um decreto como esse, acaba incorrendo em inconstitucionalidade, pois invade a competência privativa da União de legislar sobre trânsito e transporte, conforme prevê a Constituição. Além disso, o município não pode estabelecer regras e penalidades como a remoção desses veículos da via pública, pois isso não está previsto no Código de Trânsito Brasileiro nem nas normas do Contran.”
O advogado também ressaltou que é responsabilidade do município regulamentar a infraestrutura cicloviária, como a criação de novas ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas.
Próximos Passos e Reações
O Detran-RJ reiterou que continuará com o emplacamento de ciclomotores, com o prazo final para adequação estipulado até o fim deste ano. Enquanto isso, o Contran afirmou que, embora seja da União a responsabilidade de legislar sobre trânsito, os municípios têm autonomia para regulamentar questões locais relacionadas à circulação, desde que respeitadas as diretrizes da legislação federal.
A Prefeitura do Rio, em uma nota oficial, defendeu que o decreto tem como finalidade organizar o uso do espaço público e aumentar a segurança para pedestres e ciclistas. De acordo com a administração municipal, as novas regras estão em conformidade com o que determina o Código de Trânsito Brasileiro, visando um ordenamento urbano eficaz.
Assim, o cenário em torno do emplacamento de veículos autopropelidos e a regulamentação do trânsito na capital fluminense permanece em debate, refletindo a necessidade de uma harmonização entre as legislações municipal e federal, visando garantir a segurança e a mobilidade urbana.

