Reflexões sobre a Política Fluminense
A História é uma disciplina rica e multifacetada, abrangendo todas as façanhas humanas que foram acumuladas e registradas ao longo dos séculos. Nela, encontram-se tanto as verdades dos sábios quanto os avisos dos loucos, incluindo os erros que nos ensinam. Um questionamento que persegue historiadores é se a História tende a se repetir. Victor Hugo, famoso por suas reflexões, destacou que “o povo que não conhece sua História está fadado a repeti-la”. Por outro lado, outros analisam que a História “acontece como tragédia e se repete como farsa”. Essa dicotomia nos leva a refletir sobre a política do estado do Rio de Janeiro nos dias atuais.
A realidade política fluminense tem se mostrado repleta de erros e equívocos ao longo de seu desenvolvimento, começando pelo próprio nome do estado: o “Rio de Janeiro” nunca teve um rio. A baía de Guanabara, observada pela primeira vez em janeiro de 1503, é um exemplo claro de como a História pode ser enganosa. Com um passado recheado de deslizes, a questão permanece: o Rio de Janeiro ainda tem lições a ensinar?
Desde a renúncia do governador Cláudio Castro, em 23 de março deste ano, o governo do estado passou a ser liderado pelo desembargador Ricardo Couto, que assumiu a presidência do Tribunal de Justiça do estado. Essa mudança não foi simplesmente um acaso; ela foi resultado de uma sequência de renúncias e crises que marcam a política fluminense. Castro, que foi vice de Wilson Witzel, o primeiro governador afastado por impeachment desde a redemocratização, também não conseguiu evitar que o “rio” do Rio de Janeiro desembocasse em um cenário complexo e caótico.
A Sucessão Governamental e suas Implicações
A instável sucessão no governo não é fruto do acaso, mas sim o resultado de uma combinação de fatores, como a corrupção, o mau gerenciamento do serviço público e a forte associação com o crime organizado. Essa situação já não é novidade: a cultura democrática se deteriorou, e a educação política está em crise. Para agravar ainda mais esse cenário, oportunistas surgem a cada esquina, enquanto outros permanecem como exemplos negativos.
Um paralelo interessante pode ser traçado com a história de Roma. Antes de se tornar um império, Roma era uma vibrante República, regida por um Senado e cônsules. Apesar das divisões sociais entre patrícios e plebeus, a República sobreviveu devido a um sistema político que permitia certa participação popular na administração pública. A decadência começou quando Marco Licínio Crasso tentou consolidar seu poder por meio de manobras políticas, o que resultou em uma guerra civil após sua morte mal planejada em 53 a.C. Essa guerra culminou na ascensão de Júlio César, que se tornou um líder absoluto, levando ao colapso da República.
Uma Triste Realidade Fluminense
Assim como a antiga Roma, o Rio de Janeiro carrega em sua história elementos de grandeza e queda. A cidade, que um dia foi o coração do Brasil, enfrenta um cenário de degradação desde que deixou de ser a capital em 1960. Esse processo se intensificou após a extinção do Estado da Guanabara, quando os cariocas e fluminenses passaram a conviver em uma realidade política conturbada.
Os cariocas, conhecidos por sua irreverência e alegria, se viram obrigados a coexistir com um modelo político provinciano, que carece de uma verdadeira virtude republicana. Em meio a essa confusão, os cidadãos se encontram submetidos a um sistema que mais se assemelha a um estado pré-capitalista do que a um governo moderno.
Enquanto o Supremo Tribunal Federal debate a forma constitucional para a eventual escolha de um novo governador, o Rio de Janeiro vive a sua própria tragédia. A morte política de Witzel se assemelha à queda de Crasso, e a ascensão de Cláudio Castro tem ecos de César, que, por sua vez, caminha em direção a um futuro incerto. Ricardo Couto, então, pode ser visto como a incógnita, representando figuras históricas que vão do virtuoso Catulo ao transitório Pompeu.

