Reconfigurações políticas em tempos de crise
Com o cenário jurídico e político comprometido do ex-governador do Rio, novas diretrizes começam a emergir nas disputas eleitorais. Flávio Bolsonaro, em busca de alternativas após o desmoronamento de Cláudio Castro, vislumbra a candidatura de sua mãe, Rogéria, ao Senado. Inicialmente, em março, um acordo no PL previa que a chapa encabeçada pelo deputado estadual Douglas Ruas teria como segundo candidato ao Senado o ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União Brasil), com Rogéria figurando como primeira suplente. Contudo, Flávio já havia considerado a necessidade de um plano B para Castro, inclusive aventando o nome do ex-chefe da Polícia Civil, Felipe Curi, que, atualmente filiado ao PP, se mostrou uma opção inviável. Essa federação do PP com o União Brasil, que também elegeu Canella como candidato, já tinha promovido Rogério Lisboa (PP) ao posto de vice na chapa de Douglas Ruas.
Promover Rogéria nas próximas eleições representa uma tentativa de reparação histórica na trajetória da família Bolsonaro. Aos 65 anos, ela já ocupou dois mandatos como vereadora no Rio entre 1993 e 2000, enquanto era casada com o ex-presidente. Ao tentar retomar seu caminho na política, em busca de um terceiro mandato, Rogéria teve que enfrentar a competição do filho Carlos, que, mesmo com apenas 17 anos, acabou se tornando o vereador mais jovem da cidade, com 16.053 votos, enquanto ela obteve apenas 5.109, ficando como suplente.
Após um longo afastamento de quase duas décadas, Rogéria retornou à cena política com o embalo da eleição presidencial de 2018, quando Jair Bolsonaro derrotou Fernando Haddad (PT). No entanto, sua tentativa de se reeleger como vereadora em 2020 pelo Republicanos terminou em fracasso, um destino similar ao enfrentado por Ana Cristina Vale, a segunda ex-mulher de Bolsonaro, que também não conseguiu se eleger nas últimas duas eleições. Ana Cristina falhou na disputa por uma cadeira na Câmara dos Deputados em 2018, pelo Podemos, no Rio; e, em 2022, foi derrotada ao tentar uma vaga no Distrito Federal.
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Perspectivas e desafios para a família Bolsonaro
Diante dos contratempos em pleitos proporcionais, Flávio aposta que a candidatura de Rogéria ao Senado poderá ser uma alternativa mais viável. Caso ela realmente se lance, será a terceira membro da família a buscar uma vaga na Casa neste ano, ao lado de Carlos, que disputa em Santa Catarina, e Michelle, que se apresentará pelo Distrito Federal. Contudo, a reação de Michelle Bolsonaro a essas manobras de Flávio no Rio ainda é incerta. Além de se sentir magoada por não ser escolhida por Jair para uma candidatura à presidência, Michelle tem um histórico de desavenças com Rogéria, em parte pela ex-mulher do ex-presidente ainda utilizar o sobrenome da família.
Recentemente, as tensões se manifestaram quando Flávio, Eduardo e Carlos criticarampublicamente Michelle por sua postura contrária a uma aliança com Ciro Gomes (União Brasil) no Ceará. Rogéria, em resposta, postou nas redes sociais: “É lindo e reconfortante ver a união de meus filhos em defesa de nossos princípios”, em um claro recado para o atual núcleo familiar.
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À medida que o cenário político se desdobra, a dinâmica interna da família Bolsonaro se assemelha a um modelo de gestão familiar, lembrando até a carreira de Neymar, onde o pai exerce um papel central nos negócios do filho. A trajetória de Ronaldinho Gaúcho também ilustra esse paralelo, com seu irmão Assis assumindo o controle após a morte do pai, enquanto o ex-jogador ainda criança.
Entre as lacunas deixadas em documentários recentes sobre figuras proeminentes, notamos a ausência de críticas à falta de registros narrativos, além de questões sobre a decadência técnica de Ronaldinho após 2006. Embora ele e Assis refutem a teoria do excesso de noitadas, faltou uma investigação mais profunda sobre a ausência do ex-jogador como pai, uma problemática que poderia ter sido mais bem explorada no material apresentado.

