Roubo de veículos: principal desafio da segurança em Niterói
O roubo de carros permanece como o maior desafio para as forças de segurança em Niterói. Na reunião mensal do Conselho Comunitário de Segurança (CCS), realizada em 10 de maio na Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), o comandante do 12º Batalhão de Polícia Militar (BPM), coronel Júlio Cesar da Silva, definiu o crime como o “calcanhar de Aquiles” da atuação policial na cidade.
Os dados apresentados confirmam que o roubo de veículos foi o único indicador criminal que registrou aumento na comparação entre maio de 2025 e maio de 2026, com crescimento de 10%. Em contraste, os demais crimes tiveram queda no período.
Áreas sensíveis e estratégias policiais
O bairro fonseca e sua região foram os principais responsáveis pelo aumento, com uma alta de 75% nos casos de roubo de carros. Em maio, foram contabilizados 14 registros na localidade.
“O roubo de veículo é nosso ponto mais vulnerável, mas observamos uma tendência de redução dos crimes. Passamos de cerca de 30 casos em abril para 22 em maio na cidade, uma queda significativa. No Fonseca, é preciso um trabalho mais focado”, destacou o comandante.
Luciano Avelar, chefe do Observatório de segurança pública de Niterói, reforçou que, apesar do aumento recente, os números ainda são bem inferiores aos registrados antes da instalação do cercamento eletrônico em 2019. Antes, a média mensal era de aproximadamente 300 veículos roubados; hoje, esse número está abaixo de 30.
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Contexto da região do Fonseca e operação policial
Segundo o coronel Júlio Cesar, o Fonseca representa um desafio pela proximidade com áreas conflagradas e por ter sido palco de disputas entre facções criminosas. A região recebe policiamento reforçado em pontos estratégicos como Alameda São Boaventura, Rua Teixeira de Freitas, RJ-100, Avenida Professor João Brasil, Rua São Januário e Alzira Vargas.
Embora a disputa territorial tenha diminuído, ela se mantém sazonal, exigindo atenção contínua das autoridades.
Resultados e produtividade policial em Niterói
A 12ª Área Integrada de Segurança Pública (AISP), que engloba Niterói e Maricá, destacou-se com o segundo maior número de mandados de prisão cumpridos no estado do Rio de Janeiro, totalizando 60 casos. Além disso, registrou a quarta colocação estadual em prisões em flagrante, com 167 ocorrências.
Outro dado que chamou atenção na reunião foi que, dos 91 presos por furto em Niterói entre janeiro e junho de 2026, 36 já foram liberados.
Entre os crimes que apresentaram queda, a letalidade violenta caiu 57%, enquanto os roubos de rua – que incluem roubos a transeuntes, celulares e em coletivos – recuaram 39%. Homicídios dolosos diminuíram 35%, furtos de bicicletas 38%, furtos de veículos 4% e furtos de celulares 6%. No total, todas as modalidades de furto tiveram redução de 19%.
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Em maio, praticamente todos os indicadores monitorados ficaram abaixo das metas estabelecidas pela Polícia Militar para a área do 12º BPM, com exceção do roubo de veículos, cuja meta era de 20 casos.
O relatório também apontou que, durante o mês, foram realizadas 104 prisões ou apreensões, sendo 88 prisões e 16 apreensões de adolescentes. As ações resultaram na apreensão de 25 toneladas de drogas, incluindo mais de 11 toneladas de maconha, nove de cocaína e quatro de crack.
Reunião aproxima comunidade e forças de segurança
O encontro contou com a participação de representantes das polícias Civil e Militar, do programa Segurança Presente e órgãos municipais. O objetivo é aproximar moradores, comerciantes e lideranças comunitárias das forças de segurança, facilitando a discussão direta dos problemas locais e a apresentação dos resultados das ações policiais.
Mudança na titularidade da 78ª DP
Em outra mudança recente, o delegado Fábio Corsino, que assumiu a 78ª DP (Fonseca) em março de 2026, foi transferido para o Departamento-Geral de Polícia do Interior (DGPI). A Polícia Civil informou que a troca ocorreu por “reajuste” e o delegado Fábio Pacífico assumiu a titularidade.
Jessica Peixoto, representante da 77ª DP, explicou que os motivos para essas mudanças nem sempre são públicos e podem envolver decisões internas ou pedido do próprio delegado.

