Uma Nova Voz na Política Carioca
Ítalo Marsili, psiquiatra, empresário e influenciador, está se tornando uma figura proeminente no cenário político do Rio de Janeiro, especialmente com a proximidade das eleições de 2026. Sem um partido definido, Marsili sugere que o contexto atual favorece uma candidatura ao Senado em detrimento de uma corrida pelo governo do estado. Em entrevista à Gazeta do Povo, ele compartilhou suas visões e propostas para um possível mandato no Legislativo.
Entre suas principais prioridades estão a realização de um referendo sobre o sistema de governo, a implementação de prisão perpétua para crimes de corrupção e a promoção de um diálogo ativo com o setor de criptomoedas. “As circunstâncias atuais se configuram mais para o Senado”, afirma Marsili, que atualmente mantém conversas avançadas com o partido Novo, mesmo sem filiação oficial.
Flertando com a Política Desde 2014
A trajetória política de Marsili começou em 2014, quando ele iniciou conversações com presidentes de partidos, embora tenha atuado mais nos bastidores até agora. Em 2019, lançou o programa Guerrilha Way (GW) focado no desenvolvimento pessoal, que ganhou notoriedade por seu marketing digital agressivo e sua mensagem conservadora. Embora tenha sido considerado para o Ministério da Saúde em 2020, Marsili optou por se concentrar em seus negócios e manter uma certa distância da política.
Marsili critica a atual classe política do Rio de Janeiro, destacando uma crescente descrença da população em relação aos seus representantes. Ele menciona o recente escândalo envolvendo Rodrigo Bacellar, presidente da Assembleia Legislativa do estado, preso por corrupção. Com isso, Marsili aponta que cerca de 2 a 3 milhões de pessoas no Rio não votam, refletindo uma desesperança diante da política local.
Senado é Aposta Principal
Embora a decisão entre candidatar-se ao Senado ou ao governo do estado não esteja definida, Marsili parece inclinado a optar pelo Senado. “O Senado é um lugar onde eu consigo trazer pautas de modo mais consistente”, explica. Para ele, a condição essencial para competir ao cargo executivo é ter um grupo político de confiança e capacidade de governar. Sem isso, o Senado se torna “o caminho natural”.
Referindo-se ao governador de Minas Gerais, Romeu Zema, como um exemplo, Marsili acredita que a experiência política tradicional é muitas vezes marcada por corrupção e desvio de recursos. “A experiência política no Rio de Janeiro não cola”, critica, ressaltando a necessidade de gestores competentes e confiáveis.
Pautas e Propostas para o Futuro
Se efetivar sua candidatura ao Senado, Marsili delineia algumas bandeiras importantes. Uma delas é a proposta de um referendo para discutir o sistema de governo no Brasil, sugerindo que a insatisfação popular, evidenciada pelos eventos de 8 de janeiro de 2023, precisa ser abordada. Para ele, é fundamental dar voz à população sobre alternativas como monarquia ou parlamentarismo.
Outra de suas propostas é a adoção de prisão perpétua para crimes de corrupção que causem danos significativos ao erário. Essa medida se aplicaria a servidores públicos, políticos e magistrados condenados. Além disso, Marsili enfatiza a importância de abrir um canal de diálogo com o setor de criptomoedas, argumentando que o governo deve se afastar da ideia de taxação e promover um ambiente de mercado livre.
Um Outsider com Conexões
Ainda que não tenha experiência em cargos públicos, Marsili está intimamente envolvido na política carioca desde 2014 e mantém um diálogo com várias lideranças políticas, do Republicanos ao Novo. Além de sua carreira empresarial, ele dirige a Associação Marsili, uma ONG que trabalha em 42 favelas do Rio de Janeiro, oferecendo um programa chamado ‘Curso Livre de Terapeutas’, que capacita líderes comunitários em saúde mental. Marsili também se dedica a instituições de ensino que oferecem cursos de gestão pública e pós-graduação em segurança pública.
Ele afirma que só entrará na disputa se houver viabilidade concreta, destacando que seu objetivo não é simplesmente perturbar o cenário político, mas contribuir para a resolução de problemas. “Quero entrar para ajudar a resolver”, conclui Marsili, deixando claro seu compromisso com uma nova forma de fazer política no estado.

