Esquema de Fraudes na Educação do RJ
A Polícia Federal (PF) revelou um esquema de fraudes que movimentou cerca de R$ 2,9 milhões em caixa 2 na Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro (Seeduc). As investigações apontam para a participação de deputados e empresários em práticas ilícitas relacionadas à compra de materiais e contratação de serviços.
As denúncias surgiram após a prisão do ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar, que é suspeito de vazamento de informações sigilosas sobre a investigação que envolve o ex-deputado estadual TH Joias. Bacellar teria se articulado com o deputado Thiago Rangel Lima, do partido Avante-RJ, que foi preso no dia 5 de maio de 2026, para direcionar recursos para a campanha de sua filha, Thamires Rangel, e para outros candidatos aliados.
Em análise de conversas no celular de Rangel, apreendido no dia 14 de outubro de 2024, a PF encontrou indícios que revelam a estrutura do esquema. As mensagens trocadas entre Rangel e seu operador financeiro, Luis Fernando Passos de Souza, evidenciam um planejamento bem elaborado para fraudar licitações públicas, favorecendo empresas previamente acordadas com os envolvidos na trama.
Manipulação Licitatória e Conexões Criminosas
De acordo com as investigações, as conversas indicam uma clara intenção de manipular processos licitatórios a favor de empresários que mantinham relações com os investigados. Luis Fernando Passos atuava como o intermediário nas negociações, garantindo que as contratações fossem direcionadas para essas empresas.
Além disso, a PF também descobriu que Rangel teria oferecido cargos na Seeduc ao traficante Arídio Machado da Silva Júnior, conhecido como ‘Júnior do Beco’, um criminoso de alta periculosidade, envolvido em homicídios e tráfico de drogas. O parlamentar teria discutido a indicação de duas pessoas para ocupar vagas de auxiliar de serviços gerais na Secretaria.
Operação Unha e Carne em Foco
A quarta fase da Operação Unha e Carne mobilizou policiais federais para cumprir sete mandados de prisão e 23 mandados de busca e apreensão em várias regiões do Rio de Janeiro, incluindo Campos dos Goytacazes, Miracema e Bom Jesus do Itabapoana. As ordens foram emitidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Os alvos da operação incluíam não apenas o deputado Thiago Rangel, mas também outros envolvidos, como Luiz Fernando Passos de Souza, Rui Carvalho Bulhões Júnior e vários outros. A PF revelou que os indícios levantados apontam para um esquema robusto de direcionamento das contratações em escolas estaduais para empresas previamente selecionadas, que estão ligadas ao grupo sob investigação.
Os suspeitos enfrentam acusações que vão desde organização criminosa até peculato, fraude à licitação e lavagem de dinheiro. A investigação ainda pode revelar a existência de outros crimes à medida que os trabalhos avançam.
A Defesa do Deputado Thiago Rangel
Por meio de uma nota publicada nas redes sociais, a defesa de Thiago Rangel manifestou surpresa com a operação e afirmou que está se atualizando sobre os detalhes da investigação e as medidas tomadas. O deputado nega a prática de quaisquer ilícitos e promete colaborar com os esclarecimentos necessários no contexto da investigação, ressaltando que qualquer conclusão antecipada seria prematura até que os fatos sejam completamente apurados.

