Uma Iniciativa Coletiva que Transforma Caminhadas em Herramientas de Conservação
Da possibilidade de encontrar neve nas montanhas do Itatiaia ao calor das praias fluminenses, surge uma nova trilha que promete revelar o Rio de Janeiro de uma maneira inédita: pela perspectiva de quem caminha. A Volta ao Rio se apresenta como um vasto corredor de conectividade ambiental, cultural e humana, resultado de um esforço conjunto entre instituições públicas, voluntários e amantes da natureza. Essa iniciativa transforma o simples ato de caminhar em uma poderosa ferramenta para a conservação da biodiversidade, geração de renda e aproximação entre as pessoas e o meio-ambiente.
Com uma extensão aproximada de 3,5 mil quilômetros, a Volta ao Rio conecta mais de 90 municípios e cerca de 100 unidades de conservação em todo o estado. A trilha integra diferentes percursos já existentes e outros em desenvolvimento, unindo experiências de caminhada, cicloturismo e travessias aquáticas em um único circuito fluminense.
Apoio Institucional e Sustentabilidade
A iniciativa é coordenada por uma rede que inclui a Rede Brasileira de Trilhas, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o Instituto Estadual do Ambiente (INEA) e a TurisRio, com o apoio do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), do Ministério do Turismo (MTur) e das prefeituras que aderiram ao projeto.
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Luiz Aragão, um trilheiro que está percorrendo a expedição inaugural, ressalta que a Volta ao Rio representa mais do que uma simples atividade física. “O Brasil precisa escapar da loucura das grandes cidades, do concreto, e buscar um reequilíbrio com a natureza”, explica. Aos 60 anos, com uma vasta experiência em trilhas, ele destaca a Volta ao Rio como a que mais o tocou emocionalmente até o momento. Para ele, essas trilhas funcionam como corredores vivos de conservação e desenvolvimento sustentável, gerando emprego e renda para as comunidades locais.
Conexão com a Natureza e Comunidades
A Volta ao Rio atravessa áreas protegidas em níveis federal, estadual e municipal, resultando em uma forte articulação institucional. Entre os locais contemplados estão o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, o Parque Estadual dos Três Picos e o Parque Nacional do Itatiaia, o mais antigo do Brasil. Carla Guaitanele, coordenadora-geral de Uso Público e Negócios do ICMBio, afirma que essa iniciativa reflete uma política pública integrada, que une meio ambiente, conectividade, cultura e saúde.
Segundo Guaitanele, o projeto fortalece o papel das unidades de conservação como espaços de interação entre a sociedade e a natureza. “O ICMBio tem como missão cuidar da natureza junto com as pessoas”, conclui.
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Fonte: belzontenews.com.br
A História por Trás da Volta ao Rio
A ideia por trás da Volta ao Rio surgiu da necessidade de conectar trilhas já existentes no estado do Rio de Janeiro, que funcionavam de maneira fragmentada. Hugo de Castro Pereira, coordenador do projeto, explica que a proposta transcende a mera conexão de trilhas: “Conectamos unidades de conservação, territórios, pessoas e sonhos”, afirma. O projeto está em contínua expansão, com a intenção de integrar todos os 92 municípios do estado à medida que novas parcerias são formadas.
Ao longo do percurso, a trilha passa por pequenas comunidades, áreas rurais e vilas caiçaras, promovendo um turismo descentralizado que distribui a renda ao longo do território. “Os turistas não ficarão presos em hotéis cinco estrelas, mas se hospedarão nas casas das comunidades locais e comprarão nos mercados das vizinhanças”, detalha Hugo.
A Urgência da Conectividade
A criação de corredores ecológicos e trilhas de longo curso responde à crescente fragmentação das paisagens naturais no Brasil. Luiz Aragão, que tem percorrido trilhas há anos, observa com preocupação o desaparecimento de caminhos históricos devido a cercas e mudanças no uso da terra. Para os idealizadores da Volta ao Rio, a consolidação de caminhos ecológicos é essencial para garantir a continuidade do acesso à natureza e a preservação das paisagens protegidas.
A expedição inaugural da trilha tem a duração de aproximadamente 90 dias, mas o conceito da Volta ao Rio permite múltiplas experiências. A trilha pode ser percorrida em trechos ou na íntegra, proporcionando uma variedade de vivências que vão desde travessias na Ilha Grande até circuitos em montanhas e praias selvagens.
A Volta ao Rio não é apenas uma trilha; é um símbolo de uma nova forma de conceber a conservação, o turismo e o território. Com cada passo, a iniciativa visa conectar paisagens, fortalecer comunidades e aproximar pessoas da natureza, contribuindo para a construção de um mosaico vivo de conservação e pertencimento no estado do Rio de Janeiro.
Esse projeto se insere em um movimento mais amplo que busca consolidar trilhas de longo curso no Brasil, unindo conservação, turismo sustentável e valorização cultural em diversos biomas do país.

