Divisão de Opiniões
A decisão de proibir o pagamento em dinheiro nos ônibus do Rio de Janeiro tem gerado um intenso debate entre os passageiros. Manoel Ferreira Nunes, um aposentado, expressou seu apoio à medida: “Não tem mais moeda circulando dentro de ônibus, tem muito assalto. Então realmente agora é só cartão. Sou a favor de tirar o dinheiro.” Para ele, a segurança é uma prioridade, embora outros passageiros sintam os impactos de tal decisão.
Outra voz que se destacou foi a de um frequentador do transporte, que comentou: “Pra mim não interfere muito, mas pra muita gente interfere. Tem gente que não tem acesso ao telefone, que não sabe mexer no telefone, não tem internet.” A preocupação com a exclusão digital é um ponto que não pode ser ignorado, especialmente em um cenário onde a tecnologia avança rapidamente.
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Para aqueles que ainda não possuem o cartão para pagamento, a prefeitura oferece opções. As compras podem ser realizadas em máquinas localizadas em pontos do BRT, metrô e VLT, com valores a partir de R$ 5. Ademais, a recarga de créditos em dinheiro será mantida nas máquinas de autoatendimento do Jaé, disponíveis em aproximadamente 2 mil locais na cidade.
No entanto, uma parte da população se sente esquecida por essa mudança. Como ressaltou uma passageira: “Pra quem só tem acesso ao dinheiro físico é um atraso. Nem todo mundo tem cartão. Pra quem é idoso, que não entende, não sabe mexer, é complicado.” Essa realidade revela um panorama onde a inclusão social ainda precisa ser debatida e promovida.
De acordo com dados da Secretaria Municipal de Transportes, cerca de 9,2% das viagens de ônibus no Rio ainda são pagas em dinheiro. Essa estatística evidencia que uma parcela significativa dos usuários ainda depende dessa modalidade de pagamento, levantando questões sobre como a medida pode afetar seu deslocamento diário.
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Fonte: feirinhadesantana.com.br
A Prefeitura do Rio defende que essa mudança tem como objetivo aumentar a segurança dentro dos ônibus, além de melhorar a transparência na arrecadação das tarifas e reduzir o tempo de embarque, já que os motoristas não precisarão mais manusear dinheiro. Essas justificativas, embora válidas, não são suficientes para calar as vozes de descontentamento que emergem em meio a essa transição.
Questões Jurídicas em Debate
Por outro lado, especialistas em Direito têm levantado preocupações acerca da legalidade dessa decisão. O professor de Direito do Ibmec-RJ, Leonardo Pessoa, enfatiza que a proibição do pagamento em dinheiro pode infringir direitos fundamentais. Segundo ele, “essa medida gera um prejuízo para o consumidor. A pessoa que não tem condições de ter cartão ou não é cliente bancário pode ter dificuldade para se locomover. Além disso, existe previsão legal que obriga a aceitação de dinheiro em espécie como forma de pagamento.” Essa análise jurídica adiciona uma camada de complexidade à discussão, sinalizando que a implementação da medida pode não ser tão simples quanto parece.
Num cenário de profundas mudanças, resta saber como a população se adaptará a essa nova realidade e quais soluções serão propostas para aqueles que ainda dependem do dinheiro físico. As opiniões se dividem, mas a necessidade de um transporte público mais seguro e acessível é um clamor que se mantém presente entre os cidadãos cariocas.

