Atualização das Normas de Fiscalização da ANS
Desde 1º de maio, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) aplica um novo modelo de fiscalização dos planos de saúde no Brasil. Essa mudança foi tema central da Reunião Técnica realizada em 23 de junho, em parceria com a Procuradoria Regional Federal da 2ª Região (PRF2). O encontro reuniu representantes da ANS, da Procuradoria e convidados para discutir as diretrizes renovadas e seu impacto na atuação regulatória.
Parceria entre ANS e Procuradoria Federal
Na abertura, a diretora de Fiscalização da ANS, Eliane Medeiros, e outras lideranças ressaltaram a importância da colaboração estreita entre a agência e a Procuradoria Federal. Carla Soares, diretora de Gestão da ANS, destacou que, ao longo de mais de 20 anos, a Procuradoria tem sido parceira essencial, oferecendo segurança jurídica para que a ANS cumpra seu papel regulatório.
Lenise Secchin, diretora de Normas e Habilitação dos Produtos, reforçou que o suporte técnico-jurídico da Procuradoria é fundamental para o avanço das iniciativas da agência. Já a procuradora-geral federal Adriana Venturini apontou que o fortalecimento da regulação depende da construção normativa sólida, com foco em áreas estruturantes como saúde e previdência.
O Novo Modelo de Fiscalização e suas Características
Daniel Tostes, procurador federal junto à ANS, esclareceu que, embora o modelo anterior apresentasse boa efetividade, a nova abordagem visa alinhar melhor a regulação às expectativas da sociedade, sem desconsiderar os resultados já alcançados. O destaque ficou por conta da fala de Eliane Medeiros, que definiu a mudança como uma revolução na fiscalização. Segundo ela, o foco agora é a fiscalização responsiva, que incentiva as operadoras a corrigirem voluntariamente suas falhas, garantindo agilidade e respeito aos direitos dos beneficiários, sem burocracia excessiva.
Regulação Responsiva e Engajamento
Durante o evento, o professor Péricles Gonçalves, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), ministrou palestra sobre a regulação responsiva e seu estágio atual no Brasil. Em seguida, foram apresentadas as diretrizes da Resolução Normativa (RN) 623, que detalha o relacionamento entre operadoras e beneficiários, ressaltando os resultados esperados com as novas regras.
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Debate sobre Eficiência e Cobrança de Multas
Na parte da tarde, a procuradora federal Débora Pereira participou do painel que discutiu a eficiência na cobrança das multas aplicadas pela ANS, destacando a importância do estudo técnico realizado pela agência. O diretor-adjunto de Fiscalização, Marcus Braz, e a gerente de Processos Sancionadores, Alexandra Campos, abordaram a transição entre o modelo tradicional e o novo, afirmando que ambos coexistem, mas com maior ênfase na atuação responsiva.
O encerramento contou com um debate sobre as mudanças na rotina da ANS e as expectativas de resultados, com a participação de Gustavo Campos e Frederico Cortez, que apresentaram as ações de fiscalização reguladas pela RN nº 658/2025.
Divulgação e Discussão na OAB/DF
Além do encontro no Rio de Janeiro, a ANS participou, em 18 de junho, do seminário promovido pela Ordem dos Advogados do Brasil do Distrito Federal (OAB/DF), focado nos impactos regulatórios do novo modelo de fiscalização. Representantes da agência e da comissão de Saúde Suplementar da OAB/DF debateram as resoluções normativas 656 a 659, que entraram em vigor em maio de 2026.
Para a diretora Eliane Medeiros, as novas regras têm como princípio proteger o consumidor por meio de uma atuação preventiva, capaz de identificar e corrigir problemas antes que causem prejuízos. Ela define a regulação responsiva como um instrumento que fortalece a emancipação do beneficiário e a proteção da dignidade humana.
O que Muda para Beneficiários e Operadoras
O novo modelo de fiscalização da ANS representa uma mudança significativa na forma como os planos de saúde são monitorados. A prioridade está no beneficiário, que passa a ser o foco central das estratégias regulatórias. Com a fiscalização responsiva, espera-se maior agilidade na correção de falhas pelas operadoras, menos burocracia e mais efetividade na garantia dos direitos.
Para as operadoras, o novo formato oferece um ambiente mais colaborativo, onde a autorregulação é incentivada, reduzindo a necessidade de punições formais. Já para a rede pública e profissionais da saúde, a mudança pode representar reflexos no atendimento e na prevenção, ao promover maior transparência e qualidade na prestação dos serviços.
Próximos Passos e Desafios
A implementação do modelo está acompanhada de avaliações contínuas para ajustar práticas e garantir que os objetivos sejam alcançados. O diálogo entre ANS, Procuradoria, operadoras e sociedade civil será essencial para consolidar essa evolução regulatória. Na prática, o impacto deve ser sentido na rapidez e na qualidade da resposta às demandas dos beneficiários, fortalecendo a confiança no sistema de saúde suplementar.
Essa transição marca um avanço importante na regulação da saúde suplementar no Brasil, alinhada às necessidades atuais e ao compromisso com a proteção do consumidor.

