Incêndios em áreas de conservação ambiental
Em um intervalo de pouco mais de uma semana, duas importantes áreas de preservação ambiental em Niterói foram atingidas por incêndios. O primeiro ocorreu na Ilha Pai, dentro da Reserva Extrativista Marinha de Itaipu (Resex), durante o vendaval que atingiu o estado no dia 29 do mês passado. Já o segundo incêndio foi registrado na noite da última quinta-feira (6) no Costão de Itacoatiara, localizado no Parque Estadual da Serra da Tiririca (Peset), uma das principais unidades de conservação da Mata Atlântica na cidade. Até o momento, o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) está avaliando os impactos causados por esses episódios.
Extensão dos danos e dificuldades no combate
Na Ilha Pai, uma vistoria técnica realizada pelo Inea na última quarta-feira revelou que mais de 70% da área foi tomada pelas chamas. A origem do incêndio ainda não foi esclarecida. De acordo com o instituto, as condições adversas de mar e vento no dia do vendaval dificultaram a atuação das equipes de combate, já que o acesso à ilha é restrito e o uso de equipamentos é limitado.
O professor de surfe e ativista ambiental Paulo Oberlander registrou imagens do incêndio a partir da Praia de Piratinga e visitou a Ilha Pai de barco na semana passada para avaliar os danos. Segundo ele, a vegetação ficou gravemente comprometida e ainda havia pontos com fumaça no local.
“A situação é desoladora. Restou muito pouco da ilha, e o que sobrou ainda estava queimando; saía muita fumaça dali. É algo que não vai se regenerar rapidamente”, relatou Oberlander.
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Medidas e orientações para recuperação
O Inea anunciou que realizará uma nova visita técnica com pesquisadores para aprofundar a análise dos impactos e definir as ações de recuperação da área, incluindo a possível reintrodução de espécies de fauna e flora. O órgão solicitou também o apoio de uma aeronave do Corpo de Bombeiros para auxiliar no monitoramento da região.
O instituto alertou que a recuperação será orientada por avaliações técnicas e desaconselhou intervenções não autorizadas, como plantios de mudas, que podem prejudicar a regeneração natural da vegetação e causar danos ao ecossistema.
Além dos trabalhos de recuperação, o Inea pretende ampliar a fiscalização e desenvolver ações de educação ambiental junto aos pescadores locais. Também planeja realizar, em parceria com o Corpo de Bombeiros, treinamentos específicos para o combate a incêndios em ilhas e áreas de difícil acesso.
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Condições climáticas e prevenção
Segundo o biólogo Bruno Meurer, o período recente de baixa umidade e estiagem, com mais de 15 dias sem chuva em algumas regiões, contribuiu para a propagação das chamas.
“Esse período seco favorece queimadas. A vegetação seca facilita a dispersão do fogo, tornando o controle mais complexo. Qualquer faísca, ponta de cigarro ou até um caco de vidro refletindo o sol pode iniciar um incêndio. É fundamental abordar o tema nas escolas e conscientizar a população. Assim como a Defesa Civil atua na prevenção contra ventanias, precisa haver também ações para evitar queimadas, que representam riscos à comunidade e à biodiversidade”, explicou o biólogo.
Novo incêndio no Costão de Itacoatiara
Enquanto técnicos ainda avaliavam os danos na Ilha Pai, um novo incêndio atingiu o Costão de Itacoatiara na noite de quinta-feira. A suspeita é de que o fogo tenha sido provocado pela queda de um balão. Equipes do Corpo de Bombeiros e do Inea foram mobilizadas para combater as chamas, utilizando também uma aeronave. A extensão da área afetada está sendo apurada.

