Exposição no Rio de Janeiro destaca os desafios da mineração de lítio
O Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP/Iphan), situado no Catete (RJ), inaugura em 2 de julho a exposição “Zona de Sacrifício: do ouro ao pó”, da fotógrafa e documentarista mineira Isis Medeiros. A mostra acontece na Galeria Mestre Vitalino, na rua do Catete, 179, e apresenta o impacto da exploração do lítio no Brasil, especialmente no Vale do Jequitinhonha, região que concentra 85% das reservas do mineral no país. Além dos efeitos ambientais, a exposição dá voz às famílias afetadas pelo avanço das mineradoras nacionais e multinacionais.
Documentário e debate ampliam o olhar sobre a mineração
Na abertura, será exibido o documentário “Chico”, dirigido por Augusto Gomes e Isis Medeiros, que retrata a vida de Chico do Poço das Antas e os efeitos humanos e ambientais da mineração no Vale do Jequitinhonha. Esse mineral estratégico para a fabricação de baterias de carros elétricos e dispositivos eletrônicos tem causado mudanças profundas na paisagem e no cotidiano das comunidades locais.
Para aprofundar o tema, no dia 3 de julho, às 16h, haverá a Roda de Confluências com a participação de especialistas e lideranças locais, como Ana Carolina Nascimento (CNFCP), Sandra Benites (Funarte), Chico, liderança comunitária de Piauí Poço Dantas, em Itinga – MG, Tatiana da Costa Sena (IFNMG) e Helena Taliberti (ICLT). A mediação será feita por Gabriela Sarmet (cosmopolíticas). A presença de peças do acervo do Museu de Folclore Edison Carneiro reforça a conexão entre a cultura popular do Vale do Jequitinhonha e os impactos documentados.
Contexto da exposição e questionamentos sobre o desenvolvimento
“Zona de Sacrifício: do ouro ao pó” propõe uma reflexão crítica sobre o modelo de desenvolvimento baseado na extração intensiva de recursos naturais. A mostra evidencia as contradições entre a promessa de uma economia verde e as realidades de degradação ambiental, escassez hídrica e ameaças aos modos de vida tradicionais. O Brasil ocupa atualmente o 6º lugar mundial em reservas de lítio, considerado vital para a transição energética global.
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Isis Medeiros acompanha de perto o avanço da mineração no Vale do Jequitinhonha, região que conhece pela sua riqueza cultural e pelas comunidades locais. Ela questiona a narrativa da mineração sustentável: “Como falar em mineração verde quando ela deixa rastros tão visíveis de destruição ambiental e ameaça aos modos de vida locais?” A artista busca tornar visíveis histórias frequentemente ignoradas pelo restante do país.
Trabalho fotográfico que dialoga com as comunidades
A curadora Carol Lopes destaca que a prática fotográfica de Isis Medeiros se constrói a partir da criação de redes e do tempo compartilhado. O trabalho combina a pesquisa da artista com saberes tradicionais e vozes da juventude local, revelando uma paisagem complexa, marcada tanto pelo brilho das mineradoras quanto pelo pó e pelas crateras deixadas na terra.
As imagens expostas mostram o equilíbrio delicado entre gente, animais, água e solo, revelando a resistência do Vale do Jequitinhonha diante das pressões externas. A exposição convida o público a repensar a ideia de progresso e a reconhecer os conflitos que atravessam esse território.
Sobre Isis Medeiros e contribuições culturais
Isis Medeiros é fotógrafa documental, fotojornalista e realizadora audiovisual com trajetória ligada a movimentos sociais. Seu trabalho investiga violações de direitos humanos e crimes ambientais, destacando os impactos sobre comunidades tradicionais. Entre suas obras está o fotolivro “15:30” (2020), que aborda o desastre da barragem da Samarco/Vale-BHP em Mariana (MG).
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Fonte: jornalvilavelha.com.br
Seu trabalho integra acervos importantes como o do Instituto Moreira Salles (IMS), da Biblioteca Nacional da França e do MASP. Isis também idealizou a série “Mulheres Cabulosas da História”, que lhe rendeu a Medalha Clara Zetkin.
Informações sobre a exposição e agenda cultural
A exposição “Zona de Sacrifício: do ouro ao pó” fica aberta ao público de 2 de julho a 1º de novembro de 2026, no Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular, Rua do Catete, 179, na Galeria Mestre Vitalino. O horário de visitação é de terça a sexta, das 10h às 18h, e aos finais de semana e feriados, das 11h às 17h. A entrada é gratuita.
Além da abertura com o documentário “Chico – 10”, a programação inclui a Roda de Confluências, que reúne pesquisadores e lideranças para discutir os impactos da mineração. O evento é uma realização do CNFCP/Iphan, com apoio do Instituto Federal Norte de Minas Gerais (Sena), Cáritas Diocesana Araçuaí, Instituto Camila e Luiz Taliberti (Taliberti), Movimento pela Soberania Popular na Mineração, Observatório da Mineração, cosmopolíticas, Associação de Amigos do Museu de Folclore Edison Carneiro, Artmosphere e Fundação Nacional de Artes.
Este conjunto de iniciativas reforça a importância de compreender os desdobramentos da mineração no Brasil e suas consequências para o patrimônio cultural e ambiental, especialmente em territórios como o Vale do Jequitinhonha.

