Intolerância religiosa em transporte público de Duque de Caxias
Luiz Henrique Alves, estudante da rede estadual, foi obrigado a sair de um ônibus na linha 726 (Pedrinhas x Sarapuí) enquanto se dirigia à escola. O adolescente, adepto de uma religião de matriz africana, usava turbante e guias religiosas quando foi abordado pelo motorista do coletivo. Apesar de estar uniformizado e ter embarcado junto com outros alunos, Luiz foi o único a ser solicitado a deixar o veículo.
Segundo o relato do estudante, logo após se sentar, o motorista pediu que ele saísse do ônibus, alegando que ele não havia pago a passagem. Luiz contestou a justificativa, lembrando que outros estudantes entraram da mesma forma sem pagar, mas mesmo após a verificação, o condutor manteve a decisão de expulsá-lo do transporte.
“Eu sentei no banco do ônibus e o motorista apontou para mim e falou: ‘garoto de branco, sai do ônibus agora, por favor’. Perguntei por que deveria descer, e ele disse que eu não tinha pago a passagem. Outros alunos que embarcaram comigo também não pagaram, mas mesmo assim ele insistiu que eu saísse”, contou o adolescente.
Denúncia e investigação policial
Após ser deixado para trás, Luiz gravou um vídeo denunciando o episódio de intolerância religiosa nas redes sociais. Em sua declaração, reforçou que o acesso ao transporte para estudantes da rede estadual é garantido por lei e questionou a discriminação sofrida.
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A mãe do estudante, Débora Menezes Torano, também manifestou estranhamento com a atitude do motorista, perguntando por que apenas o filho foi retirado do ônibus.
O caso foi registrado na 59ª Delegacia de Polícia de Duque de Caxias, que investiga se houve prática de intolerância religiosa. Até o momento, ninguém foi preso em relação ao incidente envolvendo o estudante.
Casos semelhantes em Duque de Caxias
No mesmo dia em que Luiz prestou depoimento, outra ocorrência de intolerância religiosa foi registrada na cidade. Câmeras de segurança mostraram um homem e uma mulher invadindo a casa de uma vizinha e destruindo objetos ligados a religiões de matriz africana. A agressora teria afirmado que precisava “acabar com o mal”.
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O casal foi preso em flagrante e indiciado por violação de domicílio e preconceito de raça, cor e religião, conforme informou a polícia.
Resposta da empresa de ônibus
A Viação Santo Antônio, responsável pela linha 726, repudiou qualquer ato de intolerância ou preconceito e afirmou estar colaborando com as autoridades para esclarecer os fatos ocorridos no dia 26 de maio. A empresa destacou que o comportamento relatado não condiz com seus valores ou com o treinamento fornecido aos colaboradores que atendem o público.
Reafirmação da fé
Apesar do episódio, Luiz Henrique reforçou que não pretende abrir mão dos símbolos que representam sua religião. “Eu não poder andar com meu fio de conta é bem frustrante para mim. Para mim, a minha religião é a coisa mais bonita que me aconteceu”, afirmou o estudante.

