Haddad alerta para crescimento de milícias no interior de São Paulo
O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, manifestou nesta quarta-feira (8) preocupação com o avanço das milícias no interior paulista. Em entrevista ao “Canal do Barão”, no YouTube, Haddad afirmou que o estado está “inadvertidamente começando a criar milícias no interior de São Paulo”, grupos que oferecem serviços de segurança privada diante da ausência do poder público. Ele destacou que essa situação representa um risco significativo, comparando com o cenário do Rio de Janeiro.
Segundo Haddad, a redução dos investimentos estaduais na segurança pública, agravada pelas dificuldades fiscais de São Paulo, tem enfraquecido a presença do Estado. O petista ressaltou que o caixa do estado está baixo, mesmo após a venda da Sabesp, e mencionou os impactos do “tarifaço” anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como agravantes.
Impactos da insegurança no transporte de cargas e ações policiais recentes
O pré-candidato também apontou que o aumento do custo do transporte de mercadorias está relacionado à insegurança, reforçando a necessidade de maior atuação do Estado na área de segurança pública. No mesmo dia, uma operação da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) cumpriu 10 mandados de prisão e 10 de busca e apreensão contra um grupo responsável por furtos e roubos de cargas de carne bovina em São Paulo e Paraná. Nove pessoas foram presas e uma está foragida.
De acordo com a investigação, o grupo agia durante o transporte interestadual das cargas, removendo dispositivos de rastreamento e transferindo os produtos para contêineres refrigerados em locais previamente definidos.
Posição do governo e dados da segurança pública em São Paulo
Em resposta às declarações de Haddad, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) de São Paulo afirmou que as forças de segurança atuam de forma técnica e integrada. A SSP afirmou que o enfrentamento ao crime organizado é realizado com inteligência, tecnologia, estratégia, policiamento ostensivo e investimentos contínuos.
O órgão destacou que, nos cinco primeiros meses de 2026, os registros de roubos de carga caíram 34% em relação ao mesmo período do ano anterior, chegando ao menor patamar da série histórica para o período, com 1.061 ocorrências. No interior, a redução foi de 46%, enquanto na capital e região metropolitana houve queda de 31%.
Críticas à gestão da segurança pública e propostas de Haddad
Sobre o aumento da letalidade policial no estado, Haddad criticou a condução da Secretaria da Segurança Pública durante o comando do ex-secretário Guilherme Derrite, que deixou o cargo em 2025. Para o petista, a nomeação de pessoas próximas para cargos de comando enfraqueceu a cadeia de comando das polícias.
Haddad defendeu a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, elaborada pelo governo federal, e afirmou que pretende apoiar a integração entre as forças estaduais e federais, incluindo o compartilhamento de dados entre as polícias de diferentes estados. Ele também pretende ampliar a participação da área de segurança nas decisões do governo.
“Estou engajado no tema da educação, mas quero trazer o tema da segurança pública para a minha mesa”, afirmou o pré-candidato.
Diálogo com partidos de esquerda e cenário eleitoral
Questionado sobre alianças com partidos de esquerda, Haddad disse estar aberto a negociações, apesar de considerar que ainda é cedo para avaliar as plataformas dos demais pré-candidatos. Ele citou a disposição para construir entendimentos com quem estiver disposto a dialogar.
Pesquisa Datafolha divulgada no domingo (5) pelo jornal “Folha de S. Paulo” aponta que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), lidera a disputa pelo Palácio dos Bandeirantes, com 46% das intenções de voto no 1º turno. Haddad (PT) aparece em segundo lugar, com 30%.
Outros candidatos de esquerda, como Vera Lúcia (PSTU), Carlos Machado (PCB) e Vivian Mendes (Unidade Popular), apresentam 5%, 4% e 4%, respectivamente, nas intenções de voto.
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Contexto político e desistências na disputa pelo governo
A desistência de Kim Kataguiri (Missão) e Paulo Serra (PSDB) da corrida eleitoral retirou do páreo dois pré-candidatos que juntos somavam cerca de 10% das intenções de voto, segundo a pesquisa Datafolha de março. Paulo Serra (PSDB) é mencionado explicitamente como parte do cenário eleitoral.
Especialistas indicam que a disputa pode ser decidida já no primeiro turno, com Tarcísio de Freitas tendo 52% dos votos válidos e Haddad 34%. Para vencer, é necessário obter 50% dos votos válidos mais um.
Dados sobre rejeição e desempenho da segurança pública
A pesquisa também mediu a rejeição dos candidatos. Fernando Haddad (PT) possui 47% de rejeição, enquanto Tarcísio de Freitas (Republicanos) tem 29%.
A SSP reforçou que desde janeiro de 2023, foram retiradas de circulação 752 toneladas de drogas, com prejuízo estimado em mais de R$ 3,4 bilhões ao crime organizado, além da prisão de 701,4 mil infratores, entre eles 266,1 mil procurados pela Justiça, e a apreensão de 45,2 mil armas de fogo.
O Programa de Prevenção de Furtos e Roubos de Carga (Procarga) é destacado como uma das ações que utiliza análises estratégicas e integração entre as forças de segurança para combater o crime. A Polícia Militar Rodoviária intensifica o patrulhamento nas rodovias com apoio do Tático Ostensivo Rodoviário (TOR) e conta com o Programa Muralha Paulista, que utiliza tecnologias como câmeras de monitoramento, leitura de placas e reconhecimento facial para identificar veículos suspeitos.

