Certificação para Embarcações de Observação de Baleias no Rio e Niterói
As baleias jubarte, que migram da fria Antártica para as águas mais quentes do Brasil entre junho e novembro, são protagonistas de um fenômeno natural importante: a reprodução, nascimento e amamentação dos filhotes. Com o aumento do turismo de observação dessas espécies, as prefeituras do Rio de Janeiro e de Niterói adotaram uma iniciativa para disciplinar a atividade. Um selo será concedido às embarcações que realizam expedições para observar as baleias, garantindo proteção aos animais e segurança para passageiros e tripulantes.
Parceria e Capacitação para Turismo Sustentável
O projeto é resultado de uma parceria entre a Secretaria Municipal de Turismo do Rio (SMTUR) e a Niterói Empresa de Lazer e Turismo (Neltur). Além de certificar embarcações, o programa oferece capacitação para mestres de embarcação, proprietários, guias, agências e hotéis envolvidos na cadeia produtiva do turismo de observação. A ONG Amigos da Jubarte é responsável pelo treinamento, que inclui aulas teóricas e práticas focadas na biologia e ecologia das baleias, conscientizando os profissionais sobre a importância desses mamíferos para o ecossistema marinho.
Segundo Thiago Ferrari, diretor da ONG, o curso aborda o histórico da caça às baleias e os impactos das atividades humanas sobre elas. A capacitação é dividida em um dia inteiro de teoria e uma aula prática a bordo, promovendo uma conscientização mais profunda para que a observação seja feita de forma sustentável e segura.
Boas Práticas e Cartilha Informativa
Uma das capacitações práticas acontece em rotas que incluem as ilhas Pai e Mãe, em Niterói, e as ilhas Rasa, Redonda e Cagarras, no Rio de Janeiro, locais com grande presença das jubartes. Para auxiliar na preservação, foi criada uma cartilha que orienta sobre as boas práticas de navegação durante as expedições.
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Entre as recomendações estão manter distância mínima de cem metros da baleia, ou duzentos metros caso ela esteja acompanhada do filhote, limitar a observação a 30 minutos para evitar estresse e permitir no máximo duas embarcações observando o mesmo grupo simultaneamente. A cartilha também alerta para não nadar ou mergulhar perto das baleias, pois apesar da docilidade, o tamanho e peso do animal podem causar acidentes. Quando a baleia se aproxima para investigar, a orientação é manter o motor em neutro para que ela identifique o barco e evite colisões.
Embarcações Certificadas e Segurança
Até o momento, treze embarcações receberam o selo, válido por um ano, e o adesivo “Certificado turismo de observação de cetáceos”. Algumas dessas expedições contam com a presença de pesquisadores da Amigos da Jubarte, que oferecem aos turistas uma experiência educativa e consciente sobre a vida marinha.
Para obter a certificação, as embarcações devem estar homologadas pela Capitania dos Portos para transporte de passageiros e cumprir requisitos de segurança, como possuir botes salva-vidas, sinalizadores e radiocomunicadores, além de manter a documentação da tripulação em dia.
Esforço Integrado para Proteção das Baleias
O projeto conta com o apoio da Secretaria Municipal de Turismo do Rio, Neltur, Instituto Estadual do Ambiente (Inea), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Capitania dos Portos. De acordo com Bruno Bento, presidente da Neltur, a certificação facilita o reconhecimento da embarcação como exemplo de boas práticas de navegação, contribuindo para um turismo sustentável que gera emprego, renda e preservação ambiental.
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Nova Modalidade: Observação com Canoa Havaiana
Além das embarcações motorizadas, a observação das baleias começou a ser realizada por clubes de canoa havaiana. O próximo passo do projeto é adaptar o protocolo de segurança para essa modalidade. Diana Tavares, líder do clube Dihva’a, localizado na Praia de Botafogo, participou recentemente do treinamento da Amigos da Jubarte.
Ela relata que, ao avistar uma baleia na Baía de Guanabara, a canoa precisou fazer barulho com os remos para sinalizar sua presença e evitar colisões, já que não possuem motor. Diana destaca o aprendizado sobre o comportamento do animal e a importância de uma interação consciente para evitar estresse e garantir a segurança tanto dos praticantes quanto das baleias.
Turismo e Conservação Caminham Juntos
Thiago Ferrari ressalta que o turismo de observação de baleias é uma ferramenta potente para a conservação da espécie quando realizado de forma ordenada e sustentável. A aproximação do público com esse tesouro natural estimula a preservação, pois as pessoas tendem a proteger o que conhecem.

