Turistas enfrentam vendaval inesperado no Cristo Redentor
Uma forte ventania surpreendeu turistas durante uma visita ao Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, na tarde de quarta-feira (29). A estudante de Biomedicina Hannielly Lopes, que estava na cidade há dois dias, registrou em vídeo o momento em que o clima mudou abruptamente. “Quando chegamos, o dia estava lindo. A gente conseguiu fazer o passeio, mas cerca de 30 minutos depois que chegamos ao Cristo começou a ventania. O que mais me surpreendeu foi a rapidez com que o clima mudou. O céu estava aberto, uma coisa linda, e do nada, começou um vendaval”, relatou.
Nas imagens, Hannielly e suas amigas aparecem abaixadas e tentando se proteger da força do vento. Uma delas se segura firmemente na balaustrada do mirante para não perder o equilíbrio. O vídeo foi compartilhado nas redes sociais com a legenda: “E a gente que veio conhecer o Cristo Redentor e quase fomos conhecer Ele pessoalmente”.
Impactos da ventania na cidade
As fortes rajadas de vento, que atingiram até 105 km/h na base do Galeão, foram resultado da passagem de uma frente fria pelo litoral fluminense e outras regiões do Sudeste. A ventania causou transtornos importantes no Rio de Janeiro e cidades da Região Metropolitana, deixando duas pessoas mortas e provocando um apagão que afetou bairros da capital e da Baixada Fluminense.
Segundo o Corpo de Bombeiros, duas mortes ocorreram em Santa Teresa, onde um muro desabou. Um vídeo mostra o momento do desabamento. Em Angra dos Reis, um pescador desapareceu durante a tempestade.
Além disso, a circulação de trens e do metrô foi interrompida devido à falta de energia, embora as linhas já tenham sido normalizadas. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (Elétrico (ONS)) confirmou que uma subestação do Rio foi desligada após a ventania, enquanto a Light reportou uma “falha externa no sistema”. As regiões mais afetadas pela queda de energia foram a Zona Sul, o Centro e a Tijuca.
Com o apagão, sinais de trânsito ficaram inoperantes, causando dificuldades no tráfego, especialmente no retorno dos moradores para casa. A Defesa Civil e os Bombeiros registraram 30 ocorrências de quedas de árvores, 26 salvamentos e 4 desabamentos. Em diversos pontos do Grande Rio, árvores caíram; uma funcionária da Fiocruz sofreu ferimentos leves, e um homem foi socorrido no Centro sem gravidade.
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Transporte e infraestrutura afetados
O Aeroporto Santos Dumont (SDU) precisou fechar suas operações para pousos e decolagens. Já o Galeão (Elétrico (ONS)) manteve a operação, mas cinco voos foram desviados para outros aeroportos: dois para Belo Horizonte, dois para São Paulo e um para Vitória. Além disso, o Santos Dumont recebeu dois voos alternados.
A Prefeitura do Rio recomendou que a população evitasse deslocamentos. A Ponte Rio-Niterói operou em “operação comboio”, abrindo e fechando conforme as rajadas de vento, com equipes da concessionária orientando os motoristas.
Por volta das 17h50, a ventania começou a diminuir, mas a previsão indicava chuva para a noite.
Quedas de árvores e relatos de passageiros presos
O Centro de Operações da Prefeitura do Rio (COR-Rio) registrou diversas quedas de árvores, galhos e postes em vários bairros, incluindo locais como Viaduto Waldemar Vianna, Estrada da Pedra, Avenida das Américas, Rua Teixeira de Freitas e Rua Marechal Bittencourt, entre outros.
Em relação ao transporte público, a queda de energia paralisou temporariamente trens e o metrô, deixando passageiros presos entre estações subterrâneas por longos períodos. Relatos nas redes sociais indicaram pessoas passando mal e filas nas entradas das estações até a reabertura das linhas 1 e 4, por volta das 18h.
Posicionamento dos órgãos públicos e instituições
A Light esclareceu que a falha externa no sistema não está relacionada à operação da concessionária, afetando principalmente as regiões da Zona Sul, Centro e Tijuca.
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A TrensRJ informou que todos os ramais foram temporariamente interrompidos e que equipes de manutenção trabalham para restabelecer a operação com segurança. O RIOgaleão comunicou que, apesar das condições adversas, manteve pousos e decolagens, com cinco voos desviados para outros aeroportos.
A Secretaria de Estado de Transporte e Mobilidade Urbana (Setram), por meio do Consórcio Barcas Rio, informou que a operação na linha de Charitas está com intervalos irregulares devido aos ventos fortes, mas as demais linhas na Baía de Guanabara seguem normais.
A MOBI-Rio estendeu o horário de pico do BRT para atender os passageiros prejudicados pela paralisação do metrô e dos trens.
Na Fiocruz, quedas de galhos foram registradas em vários pontos do campus Manguinhos. Uma trabalhadora da instituição sofreu um incidente com queda de árvore e foi atendida no Núcleo de Saúde do Trabalhador (NUST) do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), recebendo atendimento e passando bem.
Contexto da frente fria e efeitos na orla
A frente fria, prevista para a região, trouxe ventos costeiros fortes após um dia ensolarado que atraiu muitos banhistas às praias do Rio. Vídeos mostram pessoas correndo para se proteger na orla de Ipanema, enquanto barracas e cadeiras foram levadas pela ventania.
O episódio expôs a vulnerabilidade da infraestrutura urbana e dos sistemas de transporte a eventos climáticos repentinos, reforçando a importância da atenção às condições meteorológicas na cidade.

