O êxodo populacional do Rio de Janeiro
Entre 2017 e 2022, o Rio de Janeiro registrou a maior redução absoluta de população no Brasil, com uma perda de 165.360 moradores, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A migração em massa tem como destino principal São Paulo, motivada pela crise econômica e pela busca por melhores oportunidades de emprego e estudo. A reportagem traz relatos de pessoas que saíram do estado e outras que escolheram o Rio como novo lar.
Decisões que refletem a realidade econômica
Igor Pereira, de 25 anos, concluiu a faculdade de Economia na UFRJ e se mudou para São Paulo no final de 2023. Ele conta que a transferência da direção da empresa onde trabalha foi um dos fatores que o levou a sair do Rio. “Eu já pensava em ir desde então, mas decidi esperar até terminar a graduação. A adaptação foi rápida, tanto na vida pessoal quanto profissional”, afirma. Esse movimento confirma a tendência apontada pelo demógrafo Marcio Misuo, do IBGE, que destaca a crise econômica, o custo de vida elevado e a insegurança pública como principais motivos para a saída dos moradores.
Queda no número de estrangeiros no estado
O Rio também registrou redução na população estrangeira, contrariando a tendência nacional. Enquanto o Brasil viu o número de estrangeiros crescer de 592 mil para mais de 1 milhão entre 2011 e 2022, o Rio perdeu 16.529 pessoas dessa origem, passando de 96.821 para 80.292. A maioria dos estrangeiros que permanecem são portugueses, argentinos e italianos, comunidades que vêm diminuindo por causa da mortalidade natural e da menor atração para novos imigrantes, especialmente da América Latina.
Leia também: Previsão do Tempo no Rio de Janeiro: Fim de Semana com Tempo Firme Após Dias Chuvosos
Leia também: Royalties: STF Decide o Futuro Financeiro do Rio de Janeiro
São Paulo, principal destino da migração
São Paulo recebeu cerca de 71 mil pessoas vindas do Rio no período analisado. A migração segue em alta, com familiares de moradores que já se estabeleceram na capital paulista seguindo o mesmo caminho. Para muitos, como Cássio Luan Rodrigues, que deixou o Recreio no Rio para trabalhar em marketing na cidade vizinha, a mudança representa uma oportunidade. Embora sinta falta da família, ele reconhece que o mercado de trabalho mais dinâmico justifica o sacrifício.
Quem escolhe o Rio para recomeçar
Por outro lado, o Rio também recebe moradores de outras regiões. Amanda Gonçalves, paulistana de 28 anos, mudou-se para a cidade para cursar Direito na UFRJ e acabou se apaixonando pelo ambiente carioca. Ela destaca a importância da rede de apoio construída e afirma que pretende permanecer no Rio. Bárbara Scorsin, vinda de Curitiba (PR) há dez anos, também decidiu ficar e formar sua família no estado, apesar dos desafios relacionados à segurança pública.
Estudantes de outras regiões enfrentam desafios no Rio
Gabriel Xavier, de 20 anos, natural de Manaus e criado em Parintins (AM), mudou-se para o Rio em 2024 para estudar Direito na UFRJ. Ele destaca as diferenças climáticas e também as questões de segurança, comparando a violência entre as duas cidades. Para ele, o Rio oferece desafios, mas também oportunidades que justificam a mudança.
Leia também: ExpoRio Turismo 2026: O Futuro do Turismo no Rio de Janeiro
Leia também: Niterói Expo Geek reúne mais de 30 mil fãs no Caminho Niemeyer
Desafios para o Rio reconquistar sua população
O professor Vitor de Pieri, do Departamento de Geografia Humana da UERJ, explica que a redução populacional está ligada à perda de dinamismo econômico do estado. A crise fiscal, a retração da construção civil e os impactos da Operação Lava Jato afetaram diretamente o mercado de trabalho fluminense. Enquanto isso, outras regiões, especialmente São Paulo, ampliaram sua atração por oferecer um mercado de trabalho mais amplo e diversificado.
Segundo Pieri, o maior desafio do Rio de Janeiro é recuperar sua capacidade de atrair e reter população, principalmente jovens e trabalhadores qualificados. Isso depende diretamente da geração de empregos, renda e perspectivas concretas de futuro para os moradores. Sem essa retomada, a migração tende a continuar impactando negativamente a economia local e a estrutura social do estado.

