Entendendo o aumento de ciclones no Sul do Brasil
O ciclone-bomba que atingiu o Rio Grande do Sul, com rajadas de vento que chegaram a 100 km/h em diversos municípios, exemplifica um fenômeno que pode se tornar mais comum nos próximos meses. A meteorologista Estael Sias, sócia-diretora da MetSul, destaca que a combinação das características naturais da região, o avanço do El Niño e as mudanças climáticas cria um cenário favorável para a ocorrência de eventos extremos no Sul do país.
O papel do El Niño na intensificação dos eventos climáticos
Estael projeta que o El Niño, que já apresenta forte intensidade, deve se intensificar até o fim do ano, alcançando seu pico máximo. Esse fenômeno climático eleva a frequência de chuvas e amplia a possibilidade de eventos extremos, como tempestades, tornados, microexplosões e ciclones. Segundo a meteorologista, o Sul do Brasil é especialmente vulnerável devido às condições naturais que favorecem a formação desses sistemas.
Características climáticas da região
A região que inclui o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná está situada em uma faixa de latitudes médias, onde há um grande contraste térmico. Essa transição climática favorece a geração frequente de ciclones e linhas de instabilidade capazes de formar supercélulas e tornados. A influência do El Niño potencializa esses fenômenos, intensificando seu impacto.
Impactos das mudanças climáticas na formação de ciclones
Estudos indicam que o aquecimento global contribui para a formação de ciclones mais intensos. A meteorologista cita as ondas de calor marinho, que elevam a temperatura das águas, e períodos prolongados de temperaturas altas como fatores que alimentam esses sistemas. Esse ambiente torna os ciclones mais potentes e capazes de causar danos significativos, especialmente no Sul do Brasil.
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Fonte: soudesaoluis.com.br
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Fonte: diretodecaxias.com.br
Para Estael, os dados recentes já evidenciam essa tendência. A perspectiva é de que a frequência de temporais aumente, acompanhada por chuvas intensas, enchentes e outros eventos extremos. O desafio não recai apenas sobre o Rio Grande do Sul, mas também sobre Santa Catarina, Paraná e países vizinhos.
O ciclone-bomba e sua formação rápida
O ciclone-bomba se destaca pela rápida intensificação, caracterizada por uma queda brusca da pressão atmosférica em poucas horas. No caso recente, o sistema se formou a sudeste do Rio Grande do Sul com uma pressão central muito baixa para o Atlântico Sul. Esse rápido desenvolvimento torna o fenômeno perigoso e digno de atenção constante.
O que aconteceu durante o evento recente
O período mais crítico do ciclone ocorreu entre quinta e sexta-feira, provocando danos, rajadas fortes e um tornado no sul gaúcho. Estael ressalta que o impacto poderia ter sido maior se o sistema tivesse permanecido mais tempo sobre o continente. Ela compara com um ciclone de julho de 2020, que causou 13 mortes ao atravessar os três estados do Sul. No episódio atual, o rápido deslocamento do ciclone para o alto-mar reduziu o risco para a população.
Previsão e efeitos esperados para as próximas semanas
O ciclone seguiu para o alto-mar e não deve se aproximar diretamente de São Paulo ou Rio de Janeiro. Os efeitos nessas regiões serão indiretos, principalmente pela aceleração da passagem de uma frente fria e pelo encontro da instabilidade com o ar quente do centro do país. Chuva ainda é esperada no setor leste desses estados, enquanto o interior deve sentir impactos menores.
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Fonte: curitibainforma.com.br
Além disso, a movimentação do ciclone deve provocar mar agitado e ressaca nos litorais do Sul e Sudeste, devido à intensidade do sistema sobre o oceano.
Capacidade de previsão dos ciclones
Devido ao seu porte, os ciclones podem ser previstos com boa antecedência. No caso recente, os modelos meteorológicos identificaram a formação do ciclone cerca de sete dias antes. A intensificação explosiva e a localização do sistema foram confirmadas com cerca de 72 horas de antecedência, permitindo alertas mais precisos para a população.
Por outro lado, ainda há limitações para prever tempestades muito localizadas de verão, que surgem e se dissipam rapidamente em áreas restritas. Para sistemas de grande escala como ciclones, a previsibilidade já é considerada bastante confiável.

