O fenômeno no Clube Heliópolis
Recentemente, um vídeo viralizou nas redes sociais contando a história do suposto aparecimento do diabo durante um baile funk no clube Heliópolis, em belford roxo. Desde então, o relato ganhou repercussão, com dezenas de pessoas enviando mensagens que confirmam o episódio, acrescentando detalhes surpreendentes e até citando outros locais onde o fenômeno teria ocorrido. Um jovem destacou que “ele dançava até o chão”, enquanto uma seguidora comentou sobre um caso similar em Magé.
Reações e relatos de testemunhas
No dia da gravação do vídeo, ficou claro que o assunto mexia com a imaginação de muitos. No bar em frente ao clube, um ex-segurança confessou ter sentido medo, apesar de sua estatura e força. Outros profissionais que trabalhavam na segurança daquele evento também preferiram se esconder. “Uma bola de fogo bateu no teto”, relatou um deles. A história percorreu até o bairro do Leblon, onde um ex-frequentador do Jobi, a quilômetros dali, garantiu a veracidade do episódio, afirmando: “Eu estava lá”.
Histórias do diabo e a dança pelo Brasil
Relatos envolvendo o diabo e a dança não são inéditos. No livro “Tá na História Brasil”, da Globo Livros, o autor pesquisou várias regiões onde o “coisa ruim” teria aparecido para dançar, incluindo Minas Gerais e o Acre. Em Rio Branco, capital acriana, uma boate chegou a fechar por causa do boato relacionado a esses fenômenos. No entanto, nada se compara ao que teria acontecido em Belford Roxo, onde cerca de duas mil pessoas teriam presenciado o evento. Entre a dúvida e a crença, o assunto segue sendo motivo de curiosidade e discussão.
Contexto local e histórias da Baixada Fluminense
Durante a década de 1990, os bailes funk no Heliópolis atraíam jovens de toda a Baixada Fluminense. Os encontros eram marcados não só pela música e dança, mas também por confrontos entre grupos rivais, conhecidos como bailes de corredor. Nesses bailes, os participantes se dividiam em dois lados, com um espaço aberto no centro para que grupos adversários se enfrentassem, sempre sob a vigilância rigorosa dos seguranças. Essa dinâmica marcou uma geração e alimentou a imagem de violência associada aos bailes funk daquela época. O verso “os sinistros são de Bel” reforçou a fama de Belford Roxo na cultura popular da região.
Legado cultural e musical de Belford Roxo
Belford Roxo também é reconhecida pela contribuição à música brasileira, especialmente no reggae. No Centro Cultural Donana, jovens músicos se reuniam para ensaiar e trocar experiências, dando origem à banda cidade negra. Em 1986, a antiga banda Lumiar adotou o nome Cidade Negra, lançando seu primeiro disco em 1991 com participação do jamaicano Jimmy Cliff. A banda foi a primeira brasileira a se apresentar no Reggae Sunsplash, na Jamaica, em 1992. Com Toni Garrido nos vocais a partir de 1994, o grupo alcançou sucesso nacional com álbuns como “Sobre Todas as Forças” e músicas que marcaram época.
A homenagem que deu nome à cidade
O nome Belford Roxo homenageia Raimundo Teixeira Belfort Roxo, engenheiro maranhense que colaborou com Paulo de Frontin na ampliação do abastecimento de água no Rio de Janeiro durante uma grave crise hídrica em 1888. Em reconhecimento ao seu trabalho, uma localidade da Baixada Fluminense recebeu o nome Belfort Roxo, que com o tempo teve o “t” trocado pelo “d”, originando o nome atual. Essa história reforça as raízes históricas e a identidade do município dentro do contexto fluminense.
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Um legado de fé e cultura popular
Além da música e das histórias sobrenaturais, Belford Roxo também abriga figuras importantes como Dona Ana, uma rezadeira conhecida por ajudar a comunidade em diversas situações. Ela era uma referência local para problemas que iam desde doenças até questões do coração. O Centro Cultural Donana, que recebeu esse apelido em homenagem a ela, foi palco para o crescimento de bandas como Cidade Negra e O Rappa, marcando uma trajetória cultural significativa para a região.

