O cenário político do Rio de Janeiro à espera do TSE
O Rio de Janeiro, berço político de Jair Bolsonaro e estado que deu 53% dos votos válidos a Flávio Bolsonaro no último domingo, está prestes a consolidar a eleição de um governador bolsonarista pela terceira vez consecutiva. Após o juiz Wilson Witzel, que surpreendeu ao assumir o Palácio Guanabara em 2018, e seu vice Cláudio Castro, eleito em primeiro turno quatro anos depois, o próximo governador pode ser o deputado estadual Douglas Ruas (PL), atual presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). A confirmação depende de uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre os votos sub judice do ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos).
As articulações políticas que levaram Ruas à frente
Se o TSE validar a não contabilização dos votos de Garotinho, Ruas atingirá 50,6% dos votos válidos, garantindo a vitória no primeiro turno sem necessidade de segundo turno. No pleito inicial, Ruas obteve 49,2% contra 42,7% do adversário Eduardo Paes (PSD), enquanto Garotinho teve 3,1%. A desistência do recurso apresentado por Garotinho no TSE, anunciada em 5 de setembro, foi fundamental para esse cenário. O acordo entre Ruas e o ex-governador, facilitado pelo deputado federal Wladimir Garotinho, pode evitar um segundo turno e ampliar a influência bolsonarista no estado.
Douglas Ruas: um nome novo com forte ligação bolsonarista
Com 38 anos prestes a completar em janeiro, Ruas se apresenta como um político emergente que conseguiu transformar seu nome desconhecido em uma força eleitoral significativa. Filho do Capitão Nelson, prefeito de São Gonçalo e um dos bolsonaristas mais firmes do estado, Ruas iniciou sua trajetória política em 2016 como assessor do pai. Em 2021, assumiu a Secretaria de Gestão Integrada e Projetos Especiais de São Gonçalo, responsável pela aplicação de R$ 250 milhões em emendas parlamentares do chamado “orçamento secreto”. No ano seguinte, foi eleito deputado estadual com 176 mil votos e, em 2023, tornou-se secretário de Cidades no governo Cláudio Castro.
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Influência política e estratégias eleitorais
Apesar da pouca experiência, a proximidade de Ruas com Flávio Bolsonaro foi decisiva para sua ascensão à presidência da Alerj. O senador do PL atuou para que Ruas assumisse a cabeça da chapa bolsonarista após o afastamento do então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, denunciado por envolvimento com o Comando Vermelho. O plano original previa que Ruas assumisse o governo após a renúncia de Cláudio Castro, que deixou o cargo para evitar cassação no TSE. No entanto, o tribunal determinou a permanência de um governador interino e proibiu que Ruas disputasse a eleição como governador.
A campanha de Ruas e o apelo à base bolsonarista
Durante a campanha, Ruas destacou sua ligação com os Bolsonaro e seu posicionamento contra o PT. Sua propaganda eleitoral ressaltou sua origem policial na Região Metropolitana do Rio e a defesa da “família tradicional”. Apresentou-se como representante do “Rio real”, em contraponto ao “Rio de novela” representado por Paes. Essa estratégia ressoou entre o eleitorado, permitindo que Ruas crescesse nas pesquisas e conquistasse espaço decisivo na reta final.
Desafios e investigações que rondam o candidato
Em um eventual segundo turno, Ruas enfrentaria acusações relacionadas ao período em que foi secretário de Cláudio Castro e na prefeitura de São Gonçalo. O Ministério Público investiga suspeitas de improbidade administrativa e enriquecimento ilícito envolvendo o deputado estadual. Entre os episódios questionados está o fornecimento de cerca de 300 mil toneladas de saibro e granito por uma pedreira ligada à família do deputado federal Altineu Côrtes, líder do PL na Câmara, para obras da Secretaria de Cidades sob gestão de Ruas.
A desistência de Garotinho e seu impacto na eleição
O movimento inesperado de Anthony Garotinho, que desistiu do recurso no TSE, pode evitar que Ruas enfrente essas controvérsias em um segundo turno. A articulação entre Ruas, Garotinho e Wladimir Garotinho sugere um alinhamento político que fortalece o futuro governador. Garotinho deixou claro que teria desistido do recurso mesmo se Eduardo Paes estivesse à frente, ressaltando que não apoiaria Ruas em um eventual segundo turno, deixando a decisão nas mãos do eleitorado.

