Exposição celebra a infância de Guignard em Petrópolis
O 3º Flipetrópolis – Festival Literário Internacional de Petrópolis apresenta a mostra “Guignard – Uma criança de Petrópolis”, que homenageia os 130 anos do nascimento do artista Alberto da Veiga Guignard. A exposição reúne 12 tótens com 20 reproduções de suas obras, todas cuidadosamente selecionadas pela pesquisadora e museóloga Ângela Gutierrez. Instaladas nos jardins do Palácio de Cristal, as obras podem ser vistas gratuitamente até o dia 15 de novembro.
Infância e memórias que marcaram a obra
Embora tenha nascido em Nova Friburgo, em 1896, Guignard viveu em Petrópolis desde os primeiros anos de vida, chegando à cidade com menos de três anos e permanecendo por cerca de cinco anos. Foi nessa cidade que ele frequentou sua primeira escola e conheceu as festas populares, como as tradicionais celebrações juninas, que incluíam balões coloridos iluminando as noites frias de junho. Esses elementos da infância, junto à convivência com as montanhas, a Mata Atlântica e a neblina da Serra, deixaram marcas profundas em sua sensibilidade artística.
Além disso, a vida familiar em Petrópolis foi marcada por momentos intensos, como a perda do pai quando Guignard tinha apenas oito anos. Essas experiências pessoais e afetivas se refletem na sua obra, que mistura paisagens, memória e imaginação de forma singular.
Leia também: Digão, bloco Eduardo e Mônica, Ocupação Palavra Cantada e Marsha Trans agitam fim de semana no DF
Fonte: atividadenews.com.br
A influência da geografia e das festas populares
O biógrafo Marcelo Bortoloti, autor de “O Anjo Mutilado”, destaca que a família de Guignard morava em um casarão na antiga Avenida Sete de Setembro, hoje Rua da Imperatriz, próxima ao Museu Imperial. O artista estudava no Colégio Franco-Brasileiro, localizado a poucos passos de casa. A cidade, cercada por uma vegetação rica e montanhosa, oferecia um cenário repleto de rios, palmeiras, pinheiros e hortênsias, além das festas tradicionais que o encantaram na infância.
Os balões de papel, soltos durante as comemorações de São João, eram uma presença constante na casa da família, já que o pai de Guignard celebrava seu aniversário nessa data com fogos e balões no quintal. Décadas depois, esses balões se tornariam um elemento recorrente e imediatamente reconhecível nas pinturas do artista.
A construção artística entre memória e sonho
O universo visual de Guignard é marcado por montanhas, névoas, vegetação vibrante e construções que parecem flutuar, criando uma atmosfera que mescla céu e terra. Esses elementos refletem a geografia vertical de Petrópolis e a atmosfera singular da Serra, que influenciaram as primeiras referências visuais do artista.
Seu trabalho não busca reproduzir fielmente lugares, mas sim construir paisagens que transitam entre a memória, a realidade e o sonho. Igrejas, casas, pessoas, nuvens e balões se reorganizam em sua pintura por meio da imaginação, revelando uma narrativa sensível e única.
Exposição destaca período pouco explorado da biografia de Guignard
A mostra visa chamar a atenção para um capítulo ainda pouco conhecido da vida do artista e estimular novas pesquisas sobre sua relação com Petrópolis. Fundamentada na biografia de Marcelo Bortoloti, a exposição reforça o papel da cidade como um núcleo formador da sensibilidade de Guignard, onde experiências de beleza, pertencimento, descoberta, afeto e perda se entrelaçam e permanecem vivas na memória do artista.

